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O Judaísmo é uma religião histórica, revelada, que nasceu na antiga Mesopotâmia (atual Iraque), cerca de quatro mil anos. Naquela região, ocupada por muitos migrantes, agrupados em grandes famílias, destaca-se a figura de Abraão, que, após anos de peregrinação por terras hostis, ouve o chamado de Deus (Javé) e, juntamente com sua família, dirige-se a terra de Canaã (atual Israel). Javé fez um pacto com seu povo para levá-lo de volta à Terra Prometida, ou Canaã, para onde já havia levado Abraão. Esse pacto foi essencial. A parti dele, os judeus sabiam que, se fossem fiéis ao Senhor, seriam recompensados. “Então o Senhor disse a Abrão: Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei. Farei de você um grande povo, e o abençoarei. Tornarei famoso o seu nome, e você será uma bênção”. (Gênesis 12:1-2) 

Historicamente, o Judaísmo é uma religião monoteísta, que crer em uma única divindade. Ao contrário do politeísmo, que acredita em vários deuses, o monoteísmo defende a existência de um só deus criador de todo o universo. Essa noção foi consolidada com a ideia de que o povo de Israel devia obediência exclusiva a Javé, Jeová ou Senhor. Como outras religiões, o Judaísmo não envolve apenas rituais, cerimonia e conhecimentos religiosos. Mais do que isso, essa religião compreende todo um sistema de vida. Para quaisquer circunstâncias e situações, estão previstos comportamentos específicos. De fato, o livro das leis judaicas, estabelece claramente quais são as ações corretas a realizar. 

Uma das características do judaísmo é a crença de que a fé é algo que deve ser conquistado através das ações. É a ação que pode criar as condições para que se possa conhecer, sentir e acreditar. O que vale é agir de acordo com a Lei Divina, desenvolvida a milhares de anos. Os judeus acreditam na presença do Deus vivo, que age na história humana, e aguardam a vinda do Messias, o enviado de Deus, que trará de volta à terra a paz e a justiça perdida por causa do pecado. A doutrina judaica está descrita nas Sagradas Escrituras do judaísmo. São livros que formam a Bíblia como a conhecemos, divididos em três partes: A Lei (Torá), os Profetas (Nebi’im) e os Escritos Sapienciais, ou Hagiógrafo (Ketubim).  

A palavra Torá referia-se originalmente a uma instrução particular transmitida ao povo por um porta-voz de Deus, como um profeta ou um sacerdote. É a herança do povo judaico, seu verdadeiro e imutável guia de vida. Como esses ensinamentos consistem, principalmente, em preceitos, a palavra Torá é, muitas vezes, traduzida como lei. A Torá também é chamada de Pentateuco, pois é composta de cinco livros: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Nela estão registrados os primeiros tempos da história de Israel, quando os israelitas foram libertados por Moises da escravidão do Egito para se tornarem o povo escolhido por Deus. A partir do reinado de Davi, Jerusalém se tornou a capital de Israel. Salomão, filho e sucessor de Davi, foi o primeiro rei israelita a conquistar uma posição de destaque no cenário internacional. Foi um grande construtor, tendo erigido, em Jerusalém, o lendário Templo do Senhor, ou Templo de Salomão.  

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Atualmente, o judaísmo apresenta quatro ramificações (Judaísmo ortodoxo, Judaísmo conservador, Judaísmo reconstrucionista, Judaísmo liberal), mas todas essas ramificações aceitam a imortalidade da alma. O mesmo não acontece, porém, com a ressureição dos mortos. Além de obedecer à lei divina, os judeus seguem uma série de preceitos e ritos. O judeu deve rezar três vezes ao dia: manhã, tarde e noite. As orações matutinas e vespertinas contêm o Shemá, a declaração central da fé judaica, baseada em Deuteronômio (6:4-7): “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força”. 

O judeu não come a carne dos animais considerados impuros, como o porco ou animais aquáticos que não tenham barbatanas e escamas. Antes de comer qualquer carne, retira dela todo o vestígio de sangue. As festas judaicas estão centradas na libertação do povo judeu. As mais importantes são: Páscoa, Pentecostes, Ano-Novo judaico, Dia do Perdão, Festival das luzes e o Purim, conhecida como festividade da sorte, comemora a libertação dos judeus na Pérsia, no século V a.C., como relata o livro de Ester. Por fim, os judeus, como os hebreus, são lembrados não pelos grandes feitos ou conquistas, mas por conta do padrão ético proposto por seus profetas. Esses profetas moldaram os vínculos da religião como uma moral que viria a dominar o Mundo Ocidental por meio não só do Judaísmo, mas também do Cristianismo e do Islamismo. 

Luís Lemos é filósofo, professor universitário e escritor, autor, entre outras obras, de Filhos da Quarentena: A esperança de viver novamente, Editora Viseu, 2021.  

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