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Você é daqueles ou daquelas que espera chegar o final do ano para fazer uma revisão de sua vida e se preparar para o ano seguinte? Ou você não costuma fazer uma revisão de sua vida? Vai vivendo assim, vida louca, “sem lenço e sem documento”? Qual é o seu lado? Com qual grupo você se identifica? 

Talvez os adeptos da “vida louca” se decepcionem com o que eu vou escrever a seguir, mas é preciso: somente o homem tolo acha que não precisa rever sua vida. Portanto, eu sou um daqueles que acham que não é preciso esperar o final do ano chegar para fazer uma revisão de nossos atos, da nossa vida, como estamos no trabalho, na família, na igreja, etc., pois tudo é muito rápido, à vida é frágil, curta, fugaz, breve, passageira. 

Ainda mais no tempo em que estamos vivendo, um período de pandemia, onde a maior autoridade do país, o atual presidente da república, não incentiva a população a tomar a vacina, o único remédio comprovadamente eficaz contra o Covid-19 e suas variantes; e por isso mesmo, à morte espreita os lares dos brasileiros. 

Sendo assim, não deixe para fazer amanhã o que você pode fazer hoje. Isso porque o amanhã pode não existir. Amanhã pode ser tarde demais. O que existe é o agora. Por isso, se você pode se prevenir contra essa doença, se previna, se cuide, pois, como dizia a minha saudosa mãe, “a gente só vive uma vez”. 

Em outras palavras, o tempo é a coisa mais cara e preciosa que temos. Devemos saber aproveitá-lo, vivê-lo. Mas você sabe o que é o tempo? A palavra tempo tem muitos sentidos e vários significados diferentes, dependendo do contexto em que é empregada. No geral, o Dicionário define que: “Tempo é a duração dos fatos, é o que determina os momentos, os períodos, as épocas, as horas, os dias, as semanas, os séculos”. 

A percepção pessoal do tempo é uma das coisas mais curiosas do cérebro e compreender esse mecanismo nos mostra que o tempo, que é uma das únicas coisas certas sobre a vida, pode na verdade ser bem incerta (pelo menos, como visto pelo cérebro humano). 

Os gregos, por exemplo, definiam o tempo de duas formas: chronos e kairós. Chronos é o tempo sequencial e cronológico, a forma racional do tempo que mede as horas, dias, anos. Já kairós é a forma qualitativa do tempo. Trata-se do tempo indeterminado, ou seja, dos nossos momentos inesquecíveis e de qualidade.  

Quando perguntado sobre o que é o tempo, Agostinho de Hipona dizia: “Se você não perguntar, eu sei o que é; se quiser que eu explique, eu já não sei mais”. Em sua obra mais famosa, “Confissões”, o filósofo coloca sua posição em relação ao tempo com o objetivo de propor discussões e visões críticas sobre a relação do ser humano com o tempo.  

Segundo os historiadores, para escrever a história, os seres humanos tiveram de resolver o problema de situar os acontecimentos no tempo. Por isso, ao longo do tempo, criaram diferentes calendários, isto é, diferentes modos de contar e dividir o tempo. Para dar início à contagem do tempo, cada povo escolheu uma data que é importante para ele. Os judeus, por exemplo, começam a contar o tempo a partir da criação do mundo, que para eles se deu no ano 3760 antes do nascimento de Cristo.  

Os cristãos, por sua vez, escolheram o nascimento de Cristo para dar início à contagem do tempo. Por isso, o ano de 2021, para os cristãos, corresponde 2021 anos depois da morte de Cristo, crucificado na Cruz para perdoar os pecados do mundo. Já os mulçumanos contam o tempo a partir da ida do fundador da sua religião Maomé, da cidade de Meca para Medina (na atual Arábia Saudita). Esse fato ocorreu no ano 622 depois de Cristo.  

O calendário cristão é o mais utilizado no Brasil. Por aqui conta-se o tempo a partir do nascimento de Jesus Cristo. Para nós, portanto, há os fatos ocorridos antes e depois de Cristo. No caso dos acontecimentos anteriores ao nascimento de Cristo, ao lado da data colocamos a abreviatura a.C. Um exemplo: os seres humanos aprenderam a produzir o fogo por volta do ano de 1.0000 a.C. Já a internet foi descoberta em 1968, no Laboratório Nacional de Física (NPL), no Reino Unido. Quando o acontecimento é depois de Cristo não precisa escrever d.C. 

Dessa forma, o nosso calendário, o calendário cristão, divide o tempo em dia (24 horas), mês (janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro, dezembro), ano, década (10 anos), século (100 anos) e milênio (1000 anos). Contar o tempo é uma forma do homem localizar-se no tempo e no espaço, uma forma de autoconhecimento. 

Por fim, o tempo é contínuo, não para nunca; é anterior a nós e nos sucederá sem dificuldade. Por isso, temos que valorizar o tempo que temos, o tempo presente, se muito ou pouco, o importante é ser grato a Deus pela vida, pelas experiências, se positivas ou negativas e renascer com as asas fortes da esperança. Assim, cheio de confiança, espero que você aproveite esse tempo para rever sua vida e se programar para as vitórias que virão em 2022.  

 

Luís Lemos é filósofo, professor universitário e escritor, autor, entre outras obras, de Filhos da Quarentena: A esperança de viver novamente, Editora Viseu, 2021. Para comprar o livro do professor Luís Lemos acesse o link https://www.eviseu.com/pt/livros/2508/filhos-da-quarentena/ Para segui-lo, inscreva-se no seu canal https://www.youtube.com/channel/UC94twozt0uRyw9o63PUpJHg 


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