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Ontem, por total e feliz coincidência, um amigo de longa data, que mora em BH, me mandou uma mensagem por WhatsApp: – Oi Luís, como você está? – escreveu ele. Essa mensagem me tirou do chão, até porque há anos não nos comunicávamos. Eu, sem saber o que lhe responder, deixei a imaginação voar por cima dos anos de total silêncio e arisquei: – Estou bem, e você?

Depois de alguns minutos de total silêncio, sem nenhuma mensagem, nenhum emoji, – ele gostava muito de mandar essas figurinhas -, ele escreveu: – Amigo, hoje eu acordei muito saudosista. Isso é bom ou ruim? – Depende – respondi-lhe imediatamente. – Pois é – respondeu-me. Eu lhe escrevi de volta: – O que essa pandemia não faz, ressuscita até os mortos. Ele: kkkkkkkkkkkk.

Novamente, depois de um longo silêncio, ele me manda uma nova mensagem: – Vou te mandar a letra da música que estou ouvindo agora. E dessa vez não demorou muito e ele me mandou a letra da música “Canção da América” de Milton Nascimento.

– Que artista fantástico é esse mineirinho – disse-lhe. Ele: – Não esqueça, “Amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves dentro do coração. Assim falava a canção que na América ouvi, mas quem cantava chorou ao ver o seu amigo partir”. Eu: – Cadê as outras estrofes da música? Ele: – Outro dia te mando. A minha internet está muito lenta. Eu: – Tudo bem. Outro dia conversamos mais.

Ele: – Antes, porém, gostaria que soubesse que você é o meu melhor amigo – disse-me. – Eu? – Sim, você! – É que hoje é muito difícil existir amigo de verdade. – Sim, eu sei, mas você é sim o meu melhor amigo. Eu: – Por que você diz isso? Ele: – Porque foi contigo, querido amigo, que recusei as pequenezas humanas e seus acoites.

– Você é meu irmão, você sabe disso! – disse-lhe. Ele com emojis de quem estava lagrimejando respondeu-me: – O valor da nossa amizade é tão verdadeiro que me fez a criatura mais feliz do mundo, justa e íntegra.  – Por que você está me dizendo isso? – Porque você foi o único que nunca deixou de falar comigo quando eu revelei para os meus amigos que era homossexual.

Ele manda um montão de emojis de choro. – Todos me abandonaram, menos você – lamenta. – Eu não fiz nada demais, apenas acolhi você em minha casa. – E você acha que isso não é tudo? Foi a sua amizade que me fez ver que eu não caberia em outra régua. Se hoje eu sei quem eu sou, o que eu quero, o meu tamanho, nem mais nem menos, devo a você, aos seus conselhos, a nossa amizade.

Agora era eu que estava com os olhos cheio de lágrimas. Mesmo assim conseguir responder-lhe: – O que eu acho mais bonito no ser humano é a amizade. A Bíblia chega a dizer que “Quem encontrou um amigo encontrou um tesouro”. – E eu a diversidade – ele me respondeu. – Sim, concordo contigo. Não existe amizade verdadeira se a pessoa não respeita o outro como ele é – respondi-lhe.

Novamente o meu amigo mandando um montão de emojis de gratidão, respondeu-me: – Quero que saiba que, mesmo de longe, você está sempre presente em minhas orações. Leio toda semana os seus artigos. Gosto muito do que você escreve. Seus artigos são maravilhosos.

Eu, sem saber o que lhe dizer, apenas copiei e colei a sua terceira mensagem: – “Amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves dentro do coração. Assim falava a canção que na América ouvi, mas quem cantava chorou ao ver o seu amigo partir” – não esqueça. Ele: – Jamais! Eu: – Como é bom ter amigos. Ele: – A nossa amizade é eterna. Eu: – Muito obrigado.

Depois de alguns minutos… Ele: – Eu acho que essa música deveria se chamar “Canção do Amigo”. Eu: – Já que o autor também é de Minas Gerais você deveria procurá-lo e sugerir que ele troque o título da música. Ele: – kkkkkkkkkkkkk. Eu: – O que foi? Falei alguma besteira? Como ele já estava offline deletei essa última mensagem.

Luís Lemos

Filósofo, professor universitário e escritor, autor do livro: “Jesus e Ajuricaba na Terra das Amazonas”.
Instagram: @professorluislemos
Youtube: https://www.youtube.com/channel/UC94twozt0uRyw9o63PUpJHg


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