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Existe uma Philosophia primeira que gera todas as demais filosofias, e que consiste, principalmente, na correta definição da verdade, ou das coisas que são, entre todas, as mais universais. Digo isso porque tenho recebido, ultimamente, nas minhas redes sociais, inúmeras mensagens de alunos, ex-alunos, amigos, leitores, todos querendo saber se Olavo de Carvalho é filósofo ou não.

Primeiramente vamos entender o que significa filósofo. Segundo Nietzsche, “filósofo é um homem que vive, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente com coisas extraordinárias, que fica surpreso com suas próprias ideias como se viessem de fora, do alto e debaixo, como por uma espécie de acontecimentos e de raios de trovão que só ele pode sofrer”. Logo, desse ponto de vista, a resposta é “sim”, Olavo de Carvalho é um filósofo.

Em segundo lugar, Philosophia é o conhecimento adquirido, por raciocínio, partindo da lógica, ou da história, para chegar as suas propriedades, ou, de suas propriedades, para um modo de compreensão crítica da realidade, para, no final, na medida em que vamos evoluindo no conhecimento e na ciência, poder produzir os efeitos exigidos pelo raciocínio filosófico. Logo, desse ponto de vista, a resposta é “não”, Olavo de Carvalho nunca foi e nunca será um filósofo.

Poderia, ainda, continuar explicando porque Olavo de Carvalho não é filósofo a partir da máxima de Edmund Husserl: “Não existe matemático sem que este nunca tenha estudado matemática”. Nesse sentido, de forma bastante simples e até rudimentar, basta apenas acrescentar que Olavo de Carvalho não é filósofo porque ele nunca estudou Philosophia.

Existe uma máxima na Philosophia, das mais importantes, que diz: “ninguém pode, sobre pena de não chegar à verdade das coisas, se autoproclamar isto ou aquilo”. Ou seja, não é só porque eu receito uns chás para os meus amigos que eu posso dizer que sou médico. Tenho que estudar medicina. Existem leis, formas de proceder, legislação, ética. Se não fosse assim, qual seria a razão de ser das universidades? Formar charlatões? Infelizmente este senhor acaba prestando um desserviço às instituições de ensino superior do nosso país.

Ao contrário do que esse “falso filósofo” prega, a Philosophia ensina que o matemático, a partir das figuras geométricas, encontra muitas de suas propriedades e, por meio delas, descobre novas formas de construí-las racionalmente, para poder medir a terra e calcular o volume de água de uma represa, além de uma infinidade de outras utilizações. Os falsos filósofos não reconhecem o valor da ciência em suas explicações, ao contrário, negam.

A Philosophia ensina também que o geógrafo, por sua vez, a partir do nascente, do poente e do movimento do sol e das estrelas, em várias partes do céu, toma conhecimento do que causa o dia, à noite e as diferentes estações do ano; com esses dados, consegue realizar a contagem do tempo. Isso se dá, também, com todas as demais ciências. Para o verdadeiro filósofo a ciência é tão importante que existe a filosofia da ciência.

Bastam esses dois exemplos, do matemático e do geógrafo, para mostrar que a Philosophia é uma grande família. Cabe nela todos os tipos de conhecimento. Ela não exclui nenhum. Assim, pode-se dizer mesmo que a Philosophia é plural. Entretanto, não devemos considerar como parte dela apenas o conhecimento original denominada experiência, o qual consiste na prudência, pois este não é alcançado racionalmente, uma vez que existe tanto nos animais como no homem.

Pelo contrário, essa experiência se origina da lembrança de uma sucessão de fatos ocorridos em tempos passados, no que a omissão de qualquer pequena circunstância, alterando o efeito, frustra a esperança do mais prudente, já que nada é produzido por um raciocínio correto, mas sim, pela geral, eterna e imutável opinião. Assim, Philosophia não é doxa (opinião), e sim aletheia (verdade).

Assim, não podemos chamar de filósofo alguém que defende o terraplanismo, porque isso gera falsas conclusões, e quem raciocina corretamente, empregando termos que compreende, não pode concluir um erro. Nem a daremos ao que qualquer homem conhece por revelação sobrenatural, já que isso não é adquirido por raciocínio. Por tudo isso, OLAVO DE CARVALHO NÃO É, NUNCA FOI E NUNCA SERÁ FILÓSOFO. Enfim, esse “filósofo de araque” não consegue distinguiu um quadro de um retângulo.

Luís Lemos

Filósofo, professor universitário e palestrante. Autor dos livros: O primeiro olhar – A filosofia em contos amazônicos (2011), O homem religioso – A jornada do ser humano em busca de Deus (2016); Jesus e Ajuricaba na Terra das Amazonas: Histórias do Universo Amazônico (2019). E-mail: [email protected] | Youtube: https://www.youtube.com/channel/UC94twozt0uRyw9o63PUpJHg


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