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Ler e escrever são habilidades básicas de qualquer ser humano. O objetivo de chamar a atenção para a alfabetização, em todo o mundo, é ressaltar a sua importância para o desenvolvimento social e econômico das nações.

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Educação, o Brasil ainda possui 11 milhões de analfabetos. No caso, adultos que não tiveram acesso à educação e sequer conseguem escrever um simples recado. Visando a expandir a alfabetização no país, o Plano Nacional de Educação prevê, entre as suas metas, “alfabetizar todas as crianças, no máximo, até o final do 3º (terceiro) ano do ensino fundamental”.

Segundo o documento, em 2010 15,2% das crianças brasileiras com 8 anos de idade, cursando o ensino fundamental, eram analfabetas. Em estados como Maranhão e Pará, esse índice era de aproximadamente 30% da população nessa mesma faixa etária. Por isso, estabeleceu-se que os três primeiros anos do ensino fundamental (6 anos até 9 anos) seriam dedicados à alfabetização e ao letramento, ao desenvolvimento de formas de expressão, bem como o aprendizado de outras disciplinas como matemática, ciência, história e geografia.

Mas por que a definição desse período para alfabetizar crianças? Algumas escolas iniciam o processo formal de alfabetização ainda na educação infantil, mas outras realizam esse trabalho somente nos primeiros anos do ensino fundamental.”Há diferentes bases teóricas que fundamentam o período ideal para a alfabetização das crianças, mas, no caso do Brasil, houve um período em que as crianças eram alfabetizadas na então primeira série por meio do uso de cartilhas que apresentavam conteúdos desconexos, e a alfabetização ocorria por meio do treino, da repetição e da memorização dos sons”, explica Renata Weffort, coordenadora pedagógica da educação infantil e do primeiro ano do Colégio Franciscano Pio XII em São Paulo (SP), também doutora em educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Segundo a especialista, o cenário se modificou conforme pesquisas na área de aprendizagem da língua escrita e da educação infantil demonstraram que o processo ia além da decodificação, em que a criança é ativa frente à aquisição do conhecimento.

Afinal, o que é a alfabetização?

De acordo com a organização Waterford, dedicada à promoção da alfabetização, o letramento não é tão simples quanto decodificar frases. Desde os primeiros anos de vida, as crianças desenvolvem habilidades que irão ajudá-las a interpretar textos no futuro. Pesquisas recentes demonstram que famílias que introduzem a leitura às crianças e se engajam em práticas educativas tendem a fazer com que os filhos sejam alfabetizados mais rápido quando o processo formal de fato começar.

“A alfabetização se inicia no nascimento, desde que a criança se insere em uma comunidade e que a leitura e a escrita têm uma função social definida. O tempo inteiro estão expostas a textos e todas essas informações são assimiladas. A partir de associações entre elas, os pequenos percebem a função desses textos, suas características, que letras se repetem da mesma forma para escrever determinadas palavras (como seu nome, de marcas, nomes de histórias e etc) e outras característica do sistema de escrita”, explica Marina Pedrosa, coordenadora da educação infantil e do primeiro ano do Colégio Augusto Laranja em São Paulo (SP).

De acordo com Renata Weffort, quando falamos sobre alfabetização, existem duas dimensões. “A primeira é a do letramento, com foco nas práticas sociais de linguagem mediadas pela oralidade, leitura de imagens e contato com os diferentes textos que circulam socialmente. Podemos dizer que esse processo se inicia desde o nascimento”, elucida. A segunda dimensão consiste em decifrar a escrita como um código, aprender a ler e escrever.

“Esse processo se inicia, pensando na escola, na educação infantil, em que as crianças vão construindo suas hipóteses de escrita. Inicialmente, por meio de rabiscos e, gradativamente, vão conhecendo as letras e realizando escritas espontâneas, que indicam sua compreensão da escrita como sistema de representação da língua”, afirma a especialista.

Existe uma idade certa para aprender a ler e a escrever?

Segundo educadores, isso depende do desenvolvimento de cada criança e do ambiente ao qual ela é exposta desde o nascimento. “A alfabetização é um processo, ou seja, antes de se pegar no lápis a criança deve ter passado pela manipulação de várias texturas e objetos afim de desenvolver esse tipo de apreensão e sensação (pegar no lápis). Anteriormente ao estágio de saber nomes e sons de letras, esse indivíduo tem que ter ouvido histórias, cantigas e parlendas, ter brincado com as rimas e sons. Esse conjunto de estímulos são ampliados ano a ano até que se chegue a alfabetização propriamente dita e quando o sistema neurológico dessa criança estará pronto para realizar tal habilidade”, explica a neuropsicopedagoga Christiane Gilberto.

Além disso, a criança tem que ter passado pelo desenvolvimento de habilidades de coordenação motora global e fina. “Primeiro, ela controla o próprio corpo como um todo e, posteriormente, controla sua mãozinha ao escrever”, especifica Christiane. Estima-se que, perto dos três anos de idade, os pequenos começam a construir o próprio vocabulário e desenvolvem algumas noções de gramática. Mesmo assim, a alfabetização formal depende, em parte, do tipo de escola em que a criança está matriculada.

A tradicional, mais disseminada no país, tem o objetivo de transmitir o conhecimento dos professores aos alunos. Por volta dos sete anos, as crianças costumam estar alfabetizadas. “Consideramos que a criança tem até o final do primeiro ano para efetivamente concluir seu processo de aquisição da leitura e escrita, ou seja, estar alfabetizada convencionalmente”, explica Marina Pedrosa.

Já a comportamentalista é similar, porém mais focada no aprendizado de técnicas, processos e contato com materiais. Por outro lado, as construtivistas colocam o aluno em evidência, como protagonista da construção do seu conhecimento, formulando hipóteses e trabalhando a autonomia. (Canguru News)


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