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Há mais de vinte anos moro em Manaus e durante todo esse tempo nunca tinha visto tanto sofrimento entre o povo amazonense. É de partir o coração ver alguém morrendo do seu lado e você não poder fazer nada. E essa dor aumenta mil vez mais quando é um parente seu ou um amigo próximo.

Graças a Deus eu não perdi nenhum parente para essa tragédia que Manaus viveu e ainda está vivendo nesse início de ano de 2021. Mas colegas de trabalho e vizinhos foram muitos. Para ser preciso, doze no total. Sonhos interrompidos, famílias destruídas. Quem se responsabilizará por todas essas perdas?

A morte dessas pessoas não pode ficar impune, cair no esquecimento. Alguém deve pagar, não foi causa natural, foi crime! Os administradores públicos, tanto da esfera Federal, Estadual e Municipal têm culpa pela falta de oxigênio em Manaus e consequentemente por todas essas mortes.

Mesmo eles dizendo que são vítimas de campanha de perseguição nas redes sociais e da imprensa, a população não pode deixar se ludibriar por falsas ideologias e propagandas políticas. Vítima é o cidadão que paga os seus impostos e na hora que precisa de um atendimento médico não tem, não esqueçamos disso!

Com tudo isso que ainda estamos vivendo em Manaus descobri algo profundamente paradoxal no ser humano: enquanto alguns lutam para viver outros vivem para lucrar com o sofrimento alheio. Como pode o ser humano pensar em ganhar dinheiro com o sofrimento do outro? Até onde vai a ganância humana?

Somos da opinião de que não há nada de errado em se obter lucros e posses, contanto que eles não sejam desfrutados à custa do sofrimento ou da perda de outra pessoa, e desde que sua aquisição não se torne um obsessivo fim em si mesmo. Mas, infelizmente, não foi isso que se viu e que se vive atualmente em Manaus.

Por exemplo, quando começou a faltar oxigênio nos hospitais em Manaus alguns espertalhões começaram a cobrar preços exorbitantes dos familiares de pacientes que precisavam desse produto para continuar vivendo. Contra essa atitude egoísta do ser humano, alguns artistas, tomados pelo espírito de solidariedade, começaram a enviar oxigênio para Manaus.

Essa atitude ajudou bastante e salvou muitas vidas. Os nossos políticos e empresários deveriam também ser mais solidários com o povo. A população brasileira precisa de gestos concretos e não de promessas vazias! Chega de político corrupção, que só pensa em si, nos próprios interesses, na própria família.

Dessa forma, em nenhuma circunstância podemos tolerar e aceitar que algumas pessoas possam ser preteridas em função de sua posição social, cargo que exercesse, cor da pele, religião, ideologia política ou filiação partidária. Afinal, somos ou não somos todos iguais perante a lei?

Assim, como quase todas as coisas que os homens acham justas e agradáveis evocam naturalmente reações de nossa completa natureza humana, sou a favor de que as pessoas que deixaram faltar oxigênio nos hospitais de Manaus, que furaram a fila da vacina, sejam punidas na forma e no rigor da lei.

Por fim, sou cristão e acredito no amor ao próximo. Por isso peço ao meu Querido Deus que todas as pessoas do Brasil possam ter a chance de ter uma vida próspera e saudável e que ninguém seja tratado simplesmente como um degrau para o benefício de outrem, que assim seja, amém!

Luís Lemos

Filósofo, professor universitário e escritor, autor do livro: “Jesus e Ajuricaba na Terra das Amazonas”.
Instagram: @professorluislemos
Youtube: https://www.youtube.com/channel/UC94twozt0uRyw9o63PUpJHg


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