Foto: José Zamith
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A abrupta alteração em prazo de até 24 horas na quantidade de leitos disponíveis para atendimento da população no Amazonas durante o pico da pandemia, em abril deste ano, foi alvo de muitos questionamentos na acareação realizada, na manhã da segunda-feira (21), pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde.

Para a Comissão, além de não ter atingido o número de 331 leitos pelos quais recebeu valor integral, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH) só apresentou regularidade no número ao fim do mês de abril, quando mais de 200 leitos de fato foram apresentados à regulação como habilitados para receber pacientes.

“Nós estamos cientes de que existiram dificuldades, mas valores altíssimos estavam sendo continuamente pagos para todos usarem o mesmo argumento toda vez que entramos no assunto de centralização de pacientes de Covid-19 e quantidade de leitos disponibilizados pela OS para o trabalho do estado. Vidas foram perdidas e o fato é que muito dinheiro continuaria sendo repassado se a CPI não intervisse”, afirmou o presidente da Comissão, deputado Delegado Péricles (PSL).

De acordo com planilhas apresentados pela própria OS à Comissão, a diferença de leitos “alimentados” no sistema pela equipe do instituto variou durante todo o mês de abril e não chegou a 303, citadas por representantes da OS na manhã desta segunda-feira.

“No dia 13 de abril, 131 leitos foram colocados à disposição da regulação. Já no dia 14, foram 75 disponíveis. E essa mudança seguiu pelos próximos dias. Qual a justificativa para isso? Os aparelhos quebraram? A desorganização é evidente em um contrato onde um não presta o serviço e o outro não fiscaliza para cobrar sua realização. Enquanto isso acontecia, perdíamos vidas”, continuou.

Ainda durante acareação, Delegado Péricles rebateu comentário de equipe da OS de que a CPI não teria a expertise para analisar procedimento utilizado pela OS durante pandemia.

“Essa CPI possui sim expertise para apurar irregularidades, fraudes, corrupção. Que não são em pequenas quantidades, dominam os bastidores de nossa saúde e envolvem muito dinheiro público. E a OS não está fora desse formato de gestão que só atua em detrimento do bem-estar e real necessidade da população. A equipe técnica que diz ter toda a expertise no estado foi incapaz de centralizar atendimentos, organizar, gerir e evitar mortes. Prova dessa expertise está aí: um hospital de Campanha da Nilton Lins que não deu até hoje o retorno esperado à população”, concluiu.


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