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No mês em que o Brasil reflete a respeito do Dia do Índio, o simbolismo da data e as suas lutas históricas dos povos indígenas para que sejam a cada dia reconhecidas sua diversidade e reinvindicações históricas no mundo atual, dois indígenas amazonenses, um Wanano e outra Apurinã apresentam ao mundo o reconhecimento de seu trabalho no universo das artes plásticas. Dhiani Pa’saro, artista visual da etnia Wanano e Sãnipã, artista visual da etnia Apurinã fazem parte agora de um time seleto de artistas amazonenses que foram selecionados pela curadoria da maior instituição museal do Brasil, o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, o MASP.

O resultado desta seleção os amazonenses e o mundo podem conferir no catálogo oficial da exposição “Histórias da Dança”, publicado no final de 2020 e disponível on line pela Loja MASP. Lá os apreciadores poderão encontrar a obra de Dhiani Pa’saro “Escudo de Dança”, um quadro com 60 cm de diâmetro, produzido em 2016 na técnica da marchetaria e pertencente a coleção de arte da escritora Myriam Scotti.

A obra “Escudo de Dança” representa o objeto de dança da etnia Wanano usado pelo cacique da mesma etnia durante rituais e festas importantes da tribo. Na peça original usada pelo cacique, o escudo era feito de cipó titica, penas de arara e de garça para ornar os detalhes. As fibras de tucum eram usadas para amarrar as penas. Esta representação chamou atenção dos curadores da exposição e organizadores do catálogo, que incluíram uma obra dos dois artistas na sessão “Sincronicidades e Ritmos” no livro da exposição. “Dhiani Pa’saro, da nação amazônica Wanano, usa marchetaria finamente forjada para criar um escudo circular de dança do tipo usado pelo chefe Wanano durante o festival Dabucuri, momento em que a comunidade se reúne para celebrar a abundância da colheita e da terra. A técnica de Pa’saro com madeira, na qual padrões de granulação são meticulosamente combinados em um padrão regular e repetido, se aproxima visualmente de um contínuo batucar de tambores”, destacou Julia Bryan-Wilson, uma das curadoras de Histórias da Dança, ao lado de Olívia Ardui e o diretor-artístico do MASP, Adriano Pedrosa.

Para o artista Dhiani Pa’saro a publicação inédita de sua obra em um catálogo do MASP é um marco importante dentro da história do artista que busca registrar sua cultura nas marchetarias e pinturas de quadros produzidas por ele. “As minhas obras são um documentário da minha cultura, do meu povo para que meus filhos e netos possam conhecer sobre nossa história. Fiquei feliz com o catálogo e espero que mais pessoas possam conhecer meu trabalho”, disse Dhiani.

DANÇA E MITO

A artista Sãnipã marca sua presença na publicação do MASP com a obra produzida em 2008, em acrílica sobre tela, de 80 cm de diâmetro, denominada “Dança e Mito”, propriedade de um colecionador particular em São Paulo.

Para a artista Sãnipã, o ano de 2020 e este início de 2021, apesar de tantas perdas ocasionadas pela pandemia do coronavírus, estão sendo anos de muito reconhecimento e retorno do trabalho artístico que desenvolve desde 2005 como artista visual. “Estou muito feliz com mais essa vitória de poder levar ao conhecimento de todos a minha cultura, meus mitos e minha arte para um público que não me conhece e não conhece minha história. Isso me motiva a produzir mais e sobreviver da minha arte”, declarou Sãnipã que também recebeu no ano passado o Prêmio Aquisição da Bienal Naifs do Brasil de 2020, em cartaz no Sesc Piracicaba, em São Paulo, pela obra “Totem Apurinã Kamadeni” que agora faz parte do prestigiado Acervo de Arte Brasileira do Sesc São Paulo.

No catálogo de Histórias da Dança a curadora Júlia Bryan-Wilson, reforça no texto curatorial que assim “como outros artistas abstratos usam espirais para conotar giros, a artista indígena brasileira Sãnipã Apurinã, cujo trabalho Dança e Mito, se baseia em um suporte literalmente circular e aglomera figuras em diversas posturas de dança no centro”, disse Júlia.

Os artistas Sãnipã e Dhiani Pa’saro são representados pela Manaus Amazônia Galeria de Arte que é responsável tanto pela gestão das carreiras artísticas de ambos, quanto pela venda de suas obras de arte ao público nacional e internacional. Tanto a galeria de arte quanto o Instituto Dirson Costa de Arte e Cultura da Amazônia (IDC), colaboraram com a publicação do MASP, colocando as imagens das obras de arte dos dois artistas, capturada pelos fotógrafos Roumen Koynov (Escudo de Dança) e Salete Lima (Dança e Mito), à disposição da equipe editorial do Museu.

PANDEMIA – A exposição Histórias da Dança possui um fato curioso e histórico pois a exposição física não pode ser realizada no MASP. O motivo se deu pela pandemia de coronavírus que impediu que a exposição fosse vista. Com o lançamento do catálogo o registro histórico torna-se mais valioso para a história da arte brasileira. “Com o museu fechado, o calendário anual praticamente cortado pela metade, a dificuldade de empreender empréstimos e viagens internacionais, os cortes orçamentários e a impossibilidade de realizar performances que gerassem aglomerações no museu, fomos forçados, por fim, a focar […] em primeiro lugar, o catálogo, que reproduz imagens das obras que integrariam a exposição”, explicou em sua apresentação na publicação, Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP.

O MASP possui a mais importante e abrangente coleção de arte ocidental da América Latina e de todo o hemisfério sul.


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