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Seria mesmo um prazer dos deuses, amar e ser amado. Mas como vivemos tempos difíceis, onde as relações humanas são quase sempre instrumentalizadas, poucos vivem o amor em sua forma plena, genuína. Não que eu seja um pessimista, mas como filósofo sinto-me na obrigação de indagar sempre: é possível amar e ser amado?

            Há quem diga que sim. Que amar e ser amado é viver integralmente para o outro, dedicar-se ao outro, cuidar do outro. De modo que amar já seria uma antecipação de ser amado. “Só o amor basta”, dizem outros! Quem ama de verdade não espera nada em troca, como, por exemplo, ser amado. Assim, ser amado seria o resultado, fim da pessoa que ama.

            Platão e Aristóteles possuem visões diferentes a respeito do amor. Para o primeiro, amor é algo essencialmente puro e desprovido de paixões, daí porque falamos em “amor platônico”; já para o segundo, amor é viver o momento presente, o convívio alegre e fraterno com a família, com a esposa, com o namorado, enfim, com aqueles que nos relacionamos no cotidiano.

            Contudo, há aqueles que acham que os dois estão errados. Platão é muito “idealista”, acredita no amor inalcançável, impossível de colocá-lo em prática, de vivenciá-lo; enquanto Aristóteles é “realista”, acredita no amor prático, no amor romântico. Seja como for, o amor é um dos aspectos mais importante da nossa vida e deve estar presente em todos os nossos atos.

            Na Idade Média, Santo Agostinho dizia: “Ama e faz o que quiseres. Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos”. O que isso significa? De que amor Santo Agostinho está falando?

O filósofo cristão está falando do amor ágape, do amor doação, do amor total, à exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo, que veio ao mundo e deu sua vida pela remissão pecadores. Pode-se dizer, também, que ele faz uma crítica a nossa concepção de amor atual, como se o amor fosse alguma coisa a ser alcançada. Pelo contrário, para ele, a nossa vida em si já é o amor, por isso ele termina o seu verso dizendo: “Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos”. Não é lindo esse pensamento?

Atualmente, no campo da filosofia, uma das definições mais acertadas de amor que eu conheço é a de Theodor Adorno: “O amor é aquele que permite a você demostrar para a pessoa que você ama suas maiores fraquezas sem medo de que ela as use contra você”. Parece que o filósofo alemão do século XX, de forma idealista, recupera a filosofia platônica, quando espera que o homem contemporâneo não confunda amor e desejo.

Pelo contrário, o que vemos atualmente são pessoas que não entendem que desejo e amor são a mesma coisa, só que, por desejo significando a ausência do objeto e, por amor, sua presença. Assim como, por aversão significando a ausência e, por ódio, a presença do objeto. De forma que, o que denominamos bom é, quase sempre, objeto de algum apetite ou desejo humano, enquanto o mau é objeto de ódio e aversão.

Por tudo isso, acreditamos que à dialética entre amor e desejo, amar e ser amado, é algo que pode ser construído entre as pessoas. Podemos, também, aprender amar e ser amado, ao mesmo tempo. Geralmente isso acontece, numa ótica de crescimento individual, como também coletiva, quando focamos mais nos pontos fortes, do que nas fraquezas. Quem ama de verdade sabe que à felicidade do outro vem em primeiro lugar. Por fim, e não mesmo importante, acreditamos que a garantia de uma vida feliz e amorosa é amar e ser amado!

Luís Lemos

Filósofo, professor universitário e escritor, autor do livro: “Jesus e Ajuricaba na Terra das Amazonas”.
Instagram: @professorluislemos
Youtube: https://www.youtube.com/channel/UC94twozt0uRyw9o63PUpJHg


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