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Policiais do Batalhão de Choque da Bielo-Rússia prenderam centenas de pessoas – maioria mulheres – neste sábado, 19, durante uma manifestação de mulheres, em Minsk, contra o presidente Alexander Lukashenko. Cerca de 2 mil mulheres participaram do protesto, muitas com bandeiras vermelhas e brancas, símbolo do protesto.

Os agentes bloquearam a passagem dos manifestantes, que se deram as mãos. Os policiais começaram, então, a arrastá-los para as vans, de acordo com um jornalista da France-Presse. O lema da convocação foi “A marcha cintilante”. Todas as presentes estavam vestidas de roupa com brilho.

A oposição bielo-russa, perseguida pelo regime, que prendeu, ou expulsou, muitos de seus líderes, convocou várias manifestações de mulheres. A rival de Lukashenko, Svetlana Tikhanovskaya, reivindicou a vitória na eleição presidencial de agosto.

Após denúncias de violência policial e de tortura cometida contra as pessoas detidas nas manifestações, o Parlamento Europeu pediu a aprovação de sanções contra Lukashenko e contra outros membros de seu governo.

Protesto com ‘rosto de mulher’

Em uma nota divulgada antes deste novo protesto, Tikhanovskaya já havia elogiado as “corajosas mulheres da Bielo-Rússia”. “Elas marcham, embora sejam ameaçadas e pressionadas constantemente”, completou.

As manifestantes gritavam palavras de ordem como “Saia, você e sua polícia de choque!” e “Achamos que podemos vencer!”.

Uma das faixas dizia “Nosso protesto tem rosto de mulher”, em referência ao título do famoso livro (A guerra não tem rosto de mulher) da bielo-russa ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura, Svetlana Alexievich, que apoiou a causa da oposição.

Entre os presos neste sábado, estava Nina Baginskaya, uma ativista de 73 anos que se tornou um dos rostos mais conhecidos do movimento. Os policiais confiscaram sua bandeira e as flores que ela segurava e a colocaram em uma van, mas a soltou pouco depois em frente a uma delegacia.

Tantas mulheres foram presas, que não havia veículos disponíveis para levá-las para a delegacia. Dezenas acabaram sendo liberadas.

Algumas participantes conseguiram escapar e se abrigaram em um salão de beleza próximo, de acordo com o portal de notícias Tut.by. Várias ambulâncias foram enviadas para atender às mulheres que passaram mal depois de serem detidas.

A Associação de Jornalistas da Bielo-Rússia informou que um repórter foi preso e teve o nariz quebrado.

O grupo de direitos humanos Viasna publicou uma lista on-line com os nomes de 217 mulheres detidas em Minsk. A polícia não divulgou, porém, o número de prisões até o momento. (Estadão)


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