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A Finlândia lançou um programa piloto para usar cães farejadores na detecção de casos de coronavírus mesmo em pessoas que não apresentam os sintomas. O teste está sendo feito no Aeroporto de Helsinque, na esperança de que os cães possam vir a desempenhar um papel fundamental no rastreamento do vírus.

Os testes com “cães voluntários” começaram nesta quarta, 23. Os pesquisadores acreditam que os cães conseguem fornecer resultados em 10 segundos e exigem menos de um minuto do tempo dos viajantes, disse Anna Hielm-Björkman, pesquisadora da Universidade de Helsinque que está usando o teste para coletar dados.

Pesquisadores em outros países, incluindo Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos, estão estudando esta modalidade de teste para coronavírus, com uso de cães. Mas o experimento finlandês está entre os em maior escala do mundo, e num estágio mais avançado.

Em Dubai, autoridades de saúde começaram neste verão a usar cães para analisar amostras de suor de viajantes selecionados aleatoriamente, com mais de 90% de precisão, de acordo com os resultados iniciais.

Mudanças na saúde podem afetar o cheiro das pessoas, dizem os pesquisadores. Os cães são valorizados há muito tempo por sua capacidade de farejar drogas e bombas, e também se mostraram capazes de detectar câncer, infecções e outros problemas de saúde.

Neste ano, pesquisadores da Universidade de Helsinque encontraram indícios promissores de que os cães podem detectar o vírus. Os cientistas dizem que apenas testes em grande escala, como o que começou nesta quarta, podem demonstrar o quão eficaz o método será na prática.

Como em Dubai, os cães vão cheirar amostras de suor e não entrarão em contato com os viajantes. As pessoas que concordarem com o teste vão limpar o próprio pescoço para produzir uma amostra, que será colocada para os cães farejarem através de uma abertura na parede, disse Hielm-Björkman.

Independentemente do resultado do teste ser positivo, eles serão incentivados a fazer um teste usual de coronavírus, versão PCR, para que os pesquisadores possam monitorar a precisão dos cães. Todos os testes são gratuitos para viajantes que chegam ao aeroporto.

Hielm-Björkman acrescentou que os cães podem, de acordo com pesquisas preliminares, ser melhores em detectar infecções por coronavírus do que testes de PCR e anticorpos. Eles “também podem encontrar [pessoas] que ainda não são PCR positivas, mas se tornarão PCR positivas em uma semana”, disse ela.

Virpi Perälä, representante da Evidensia Elainlaakaripalvelut, uma rede de clínicas veterinárias que financiou a primeira fase do estudo, que incluiu o treinamento dos cães, disse que mais financiamento seria necessário para expandir o projeto, dependendo dos resultados iniciais.

Dos 16 cães treinados, apenas quatro estão prontos para trabalhar. Seis outros ainda estão em treinamento, com outros seis considerados inadequados para um ambiente de aeroporto.

Os especialistas alertaram que os “testes caninos”, embora eficazes, podem ser difíceis de dimensionar. O treinamento é demorado e caro. Mesmo assim, os pesquisadores estão otimistas de que isso pode desempenhar um papel no rastreamento de casos, mesmo que não possa aliviar as demandas dos sistemas de teste sobrecarregados do mundo.

Um dos objetivos do experimento, disse Hielm-Björkman, é reunir observações sobre quanto tempo os cães podem trabalhar em turnos. “É muito fácil ver em um cachorro quando ele começa a ficar cansado”, disse ela.

Os pesquisadores dizem que é improvável que os cães sejam infectados com o novo coronavírus durante os testes ou que seus treinadores possam ser expostos. Embora muitos cães tenham testado positivo para o vírus nos últimos meses, não há evidências de que esses animais possam transmitir a doença aos humanos, segundo a Organização Mundial de Saúde.

Hielm-Björkman disse que os cães podem ser enviados para asilos, escolas e outros lugares, onde podem eventualmente entrar em contato direto com indivíduos. “Você poderia abrir a sociedade de outra forma se tivesse esses cães”, disse ela.

O uso de cães nesses ambientes pode representar preocupações, incluindo implicações para a privacidade e para aqueles que se sentem desconfortáveis ou alérgicos a cães.

Por enquanto, o teste no aeroporto tenta dar às autoridades de saúde mais uma ferramenta em seu arsenal, enquanto a Finlândia se prepara para lidar com um aumento potencial de casos no outono, embora os números gerais permaneçam baixos em comparação com os picos vistos em vários outros países europeus. (Estadão)


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