A polícia australiana participou da operação internacional de combate ao crime organizado - AFP
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Uma gigantesca operação internacional contra o crime organizado permitiu a detenção de mais de 800 pessoas, depois que foram descriptografadas as comunicações entre bandidos que utilizaram, sem saber, telefones distribuídos pelo FBI, anunciaram nesta terça-feira (8) agências policiais.

“Estas informações levaram durante a semana passada a centenas de operações policiais em escala mundial, da Nova Zelândia e Austrália a Europa e Estados Unidos, com resultados impactantes”, declarou o vice-diretor de operações da Europol, Jean-Philippe Lecouffe.

“Mais de 800 detenções, mais de 700 lugares com operações de busca e mais de oito toneladas de cocaína confiscadas”, completou em uma entrevista coletiva um dos comandantes da agência de cooperação policial europeia que tem sede em Haia.

Durante três anos foram distribuídos milhares de telefones que deveriam passar desapercebidos entre membros da máfia, dos sindicatos do crime organizado asiático, dos cartéis de drogas, entre outros delinquentes.

Mas esta operação internacional impulsionada pelo FBI (a Polícia Federal dos Estados Unidos), que recebeu o nome “Escudo de Troia”, permitiu que a polícia também coletasse quase 20 milhões de mensagens que os criminosos trocaram por meio de aparelhos criptografados com o sistema AN0M.

O diretor adjunto do FBI, Calvin Shivers, destacou que a operação permitiu salvar “mais de 100” vidas ameaçadas.

A operação internacional começou depois que o FBI conseguiu infiltrar sistemas similares denominados “Phantom Secure” e “Sky Global”, com os quais acessaram as comunicações de milhares de pessoas, incluindo suspeitos de crimes.

“O fechamento dessas duas plataformas criptografadas de comunicação criou um vazio importante no mercado de comunicações criptografadas”, explicou a polícia da Nova Zelândia.

De acordo com documentos judiciais dos Estados Unidos citados pelo portal Vice, o FBI trabalhou com pessoas que conheciam os ambientes par desenvolver e distribuir os aparelhos AN0M por meio da rede “Phantom Secure”, com a entrega de 50 telefones, especialmente na Austrália.

Segundo a Polícia Federal australiana, apenas no país foram presas 224 pessoas, enquanto seis laboratórios de drogas foram fechados e as autoridades conseguiram apreender armas de fogo e o equivalente a 35 milhões de dólares

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, disse que a operação “desferiu um duro golpe no crime organizado, não apenas no país, mas irá repercutir no crime organizado em todo o mundo”.

– “A polícia no bolso” –

Os telefones celulares não tinham e-mail nem serviço de ligação ou GPS. Os aparelhos eram adquiridos apenas no mercado clandestino por 2.000 dólares. Além disso, era necessário um código enviado por outro usuário do AN0M.

“Os criminosos tinham que conhecer outro criminoso para conseguir um aparelho”, afirmou a polícia australiana em um comunicado.

Para distribuir os dispositivos, a polícia utilizou pessoas que tinham influência nos círculos criminais, incluindo um traficante foragido na Turquia.

“Os aparelhos circulavam organicamente e se tornaram populares entre os criminosos, que confiavam na legitimidade do aplicativo porque figuras reconhecidas do crime organizado os defendiam”, completou a polícia da Austrália.

Os criminosos influentes “colocaram a Polícia Federal australiana no bolso” de centenas de supostos bandidos”, celebrou o comandante da força de segurança, Reece Kershaw.

– Boatos –

Ao mesmo tempo, a polícia divulgou boatos sobre a suposta vulnerabilidade de um sistema rival, o “Ciphr”.

No total, 11.800 dispositivos foram distribuídos em todos os continentes. Austrália, Espanha, Alemanha e Holanda foram os países que mais receberam aparelhos.

A infiltração acabou em março de 2021, quando um blogueiro detalhou as falhas de segurança do AN0M, apresentado como um dispositivo vinculado à Austrália, Estados Unidos e aos outros membros da aliança FiveEyes. A publicação foi apagada.

A polícia da Nova Zelândia, onde aconteceram 35 detenções, em sua maioria por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, informou que esta foi “a ação policial contra o crime organizado mais complexa do mundo até hoje”. Com informações de AFP.


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