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VATICANO, 12 MAI (ANSA) – O papa Francisco afirmou nesta quinta-feira (12) que a queda das taxas de natalidade em países desenvolvidos é uma “emergência social” e que não ter filhos é uma espécie de “pobreza”.

As declarações foram dadas em uma mensagem enviada para a segunda edição dos Estados Gerais da Natalidade, evento realizado em Roma e criado para discutir formas de combater a tendência de esvaziamento populacional da Itália.

“O tema da natalidade representa uma verdadeira emergência social. Não é imediatamente perceptível como outros problemas que ocupam o noticiário, mas é muito urgente: Cada vez nascem menos crianças, e isso significa empobrecer o futuro de todos. A Itália, a Europa e o Ocidente estão se empobrecendo de futuro”, afirmou o Papa.

Segundo Francisco, existe uma “periferia existencial e pouco vistosa” no Ocidente, que reúne os “homens e mulheres com desejo de ter filhos, mas que não conseguem realizá-lo”.

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“Muitos jovens sofrem para concretizar seu sonho familiar, então abaixam o padrão de desejo e se contentam com substitutos medíocres, como os negócios, o carro, as viagens, a proteção ciumenta do tempo livre… A beleza de uma família rica em filhos arrisca se tornar uma utopia, um sonho difícil de ser realizado”, acrescentou.

“Essa é uma nova pobreza que me assusta. É a pobreza generativa de quem faz um desconto para o desejo de felicidade que tem no coração, de quem se resigna a diluir as maiores aspirações, de quem se contenta com pouco e deixa de sonhar grande. Sim, é uma pobreza trágica porque atinge os seres humanos em sua maior riqueza: colocar vidas no mundo para transmitir com amor a existência recebida”, disse.   

Jorge Bergoglio ainda afirmou que ignorar o problema da queda nas taxas de natalidade é uma “postura míope” e que é preciso colocar em campo “políticas concretas para impulsionar a família”.

Em novembro passado, o Instituto Nacional de Estatística (Istat), espécie de IBGE da Itália, divulgou um estudo que aponta que a população do país pode diminuir 20% nas próximas cinco décadas, chegando a 47,6 milhões de habitantes em 2070 – hoje são 59,6 milhões. (ANSA). 


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