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Por Carlos Santiago

As eleições nem começaram, os nomes de Bolsonaro e de Lula ainda não constam nas urnas para receber o voto popular, mas já existe vencedor do pleito de 02 de outubro: o Centrão. Favorecido pela legislação eleitoral e pelo uso da máquina pública na montagem de chapas eleitorais para a Câmara dos Deputados, o Centrão pode conquistar a maior bancada nas Casas Legislativas do País.

É uma constatação. Depois do fim da janela partidária, os partidos com o maior número de militantes políticos do Centrão registraram um aumento significativo de deputados federais e de deputados estaduais, aumentando ainda mais sua força em todo Brasil.

Na Câmara dos Deputados, o Partido Liberal – PL, por exemplo, com ajuda do presidente Bolsonaro, ganhou mais 45 deputados; o Progressistas – PP conquistou 14 novos parlamentares; o Republicanos conseguiu adesão de 11 legisladores; o Partido Social Democrata – PSD obteve 13 novos parlamentares para a sigla; outros partidos menores de membros do Centrão perderam deputados: Partido Trabalhista Brasileiro – PTB (-5) e o Solidariedade (-4). Numa rápida somatória, o Centrão saiu vitorioso.

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E nos estados brasileiros, a situação não foi diferente. O PL passou de 43 deputados estaduais eleitos, em 2018, para 109, em 2022; o Republicanos atualmente tem 75 parlamentares, antes da janela partidária tinha 42; o PP tinha 70 legisladores, agora tem 95; o PSD ganhou 26 deputados; outros partidos com integrantes do Centrão tiveram perdas, como o PTB e PSC. Mas, na somatória, o Centrão saiu fortalecido.

O Centrão é um conjunto de parlamentares com perfis diversos que usam os cargos públicos para fazerem acordos nem sempre republicanos para levar verbas aos apadrinhados políticos nos estados e obras públicas aos amigos empreiteiros. Ele não liga para ideologia partidária, projeto de nação, nem com tendências políticas dos governos. É movido pela divisão de cargos e de recursos do erário para promover a velha política do toma lá dá cá.

A atual legislação eleitoral vai fortalecer ainda mais o Centrão, pois obriga, em 2022, que os partidos ou federações alcancem no mínimo 2% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados ou pelo menos 11 deputados federais eleitos, distribuídos em pelo menos nove estados, para continuarem com direito a um gordo fundo partidário, um milionário fundo de campanha, além de programas de televisão, de rádio e de regalias nas Casas Legislativas. Isso favorece quem tem partido organizado, mas também quem tem força na máquina pública. Ora, ora, o Centrão tem muita força nas máquinas públicas municipais, estaduais e no Governo Federal.

Não é à toa que partidos compostos, na maioria, por membros do Centrão, até o momento, não anunciaram e nem precisaram de federações partidárias para montagem de chapas à Câmara dos Deputados, isso porque ganharam muita força e cargos nos últimos anos.

O previsível é que o próximo presidente, seja ele qual for, independentemente da ideologia ou do credo, dependerá do Centrão para governar, para o bem ou para o mal. Vai depender muito da disposição do futuro mandatário máximo de aceitar as velhas e maculadas práticas do Centrão.

O eleitorado até pode mudar esse quadro nas eleições, mas é muito difícil impor uma derrota a quem detém a legislação eleitoral e as máquinas públicas a seu favor.

 

Sociólogo, Analista Político e Advogado.


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