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Tenho lido e ouvido muitas coisas nesses últimos dias, sobretudo depois do acidente aéreo que vitimou a cantora Marilia Mendonça (1995-2021), sobre o sentido da vida, sobre o que é viver e como viver. 

Uma enxurrada de questionamentos: “O que é a vida?”, “o que é viver?”, “como aproveitar a vida?”, “para que existimos?”, “para que servimos?” têm enchido a tela do meu celular e as minhas redes sociais, todos querendo saber o que é viver, como se a vida fosse fácil, como se alguém tivesse a resposta.  

Prezado leitor e estimada leitora, sinto muito em dizer que eu também não tenho nenhuma resposta para essas perguntas. Nem sei se existe alguém no mundo que tenha. Sei que têm muita gente falando sobre o assunto. Padres, pastores, psicólogos, artistas, etc., todos dando dicas de como viver. Mas será que isso ajuda ou atrapalha? 

Infelizmente quando uma pessoa famosa morre, ainda mais quando essa pessoa é jovem e está no auge da fama, como no caso da cantora Marilia Mendonça e do também cantor Gabriel Diniz (1990-2019), muitos questionamentos sobre a vida aparecem e alguns aproveitadores de plantão, também!  

No campo das Ciências Humanas, a Filosofia ensina que o questionamento deve ser um processo contínuo e não sazonal, ou seja, não espere um famoso morrer para fazer as perguntas essenciais da vida. Sócrates, o “Pai” da Filosofia, ensinava que: “Uma vida sem reflexão não vale a pena ser vivida”. Quem quer ser feliz, viver bem, consigo mesmo, com o outro e com o Transcendente, deve ter como meta a melhoria contínua. 

A Filosofia ensina, ainda, que ninguém nasce sabendo. No entanto, aprendemos a viver. E todos aqueles que dizem, pregam ou escrevem dizendo que “a vida é fácil”, que “a vida é dura para quem é mole”, não sabe o que diz. Infelizmente, na hora da tragédia, muita gente se aproveita para pregar o caos, para ensinar pela dor. 

Como filósofo, sei que o ser humano aprende pelo amor ou pela dor. Mas eu, particularmente, prefiro aprender e ensinar pelo amor, até porque o amor educa e o medo reprime. Pessoas reprimidas são pessoas alienadas e todo alienado é perigoso porque, geralmente, em sua maioria, eles seguem as ideologias dominantes. 

O tema (O que é viver?) é vasto e contém muitos livros bons para leitura e argumentos. Mas existem, também, muitos livros ruins. Os livros ruins resumem-se em apresentar receitas, a repetir o mais do mesmo. Imagine você, prezado leitor e estimada leitora, que eu li recentemente um livro (não vou escrever o título aqui porque não quero ser processado) e nesse livro o autor dizia: “Viver só vale a pena para quem tem Deus no coração”.  

Na hora que eu li essa frase fiquei pensando nos ateus, naqueles homens e mulheres que não acreditam em Deus. Certamente o autor desse livro nunca leu os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2010 que afirmam que 10% da população brasileira declaram-se não ter nenhuma religião e 2% ateu.  

A vida não é uma receita. Não existe receita de como viver. A vida é um fazer-se presente. Presente na vida do outro, na vida daqueles que amamos ou na vida daqueles que somos obrigados a conviver diariamente, por exemplo, no trabalho. Viver é valorizar o aqui e o agora, em todas as suas facetas. Viver é ter esperança e continuar lutando por ela. O ser humano morre quando perde a esperança!  

Quanto mais esperança, melhor! Viver é ter esperança de dias melhores, que as dores e as angústias são passageiras, “que tudo vale a pena quando a alma não é pequena”, como disse o poeta. Em suma, viver é isso, é continuar fazendo o que se está fazendo mesmo sabendo que vai morrer daqui a um segundo! 

Foi exatamente isso que São Luiz Gonzaga fez. Conta a História da Igreja que um dia alguém chegou para ele e lhe perguntou: “Luiz, o que você faria se soubesse que iria morrer daqui a pouco?” O que ele respondeu, prontamente: “Continuaria fazendo o que estou fazendo agora, rezando o santo terço”. 

Semana passada, em conversa com uma colega de trabalho escolar, ela me falou assim: “Professor Lemos, quando eu me aposentar eu vou viver viajando. Eu adoro viajar”. O que eu lhe respondi, repreendendo-a: “Não professora, não postergue a felicidade. Não deixe para ser feliz amanhã. O futuro, a gente faz é agora”. 

Embora algumas pessoas me achem pessimista, principalmente pessoas que não me conhecem pessoalmente, mas eu sei que eu sou um otimista incorrigível, isso porque eu tenho uma tendência natural de acreditar sempre no ser humano, mas no caso específico dessa professora, acredito que se ela não viaja agora, enquanto é jovem, tem saúde, certamente ela não irá fazer quando a tão sonhada aposentadoria chegar. É isso! 

Prezado leitor e estimada leitora, penso que a vida é vivida no agora e não no depois; o amanhã é o resultado de nossas ações no presente. E para finalizar, até porque este artigo está fincando longo de mais, e eu sei que ninguém gosta de artigo muito cumprindo, vou apenas fazer duas indagações:  

  1. 1. O que adianta o Brasil ser o maior país cristão do mundo se o povo brasileiro passa fome e não tem ninguém para ajudá-lo?
  2. O que adiante declara-se religioso, católico ou evangélico, se você é incapaz de estender a mão a quem precisa?

Agora é a sua vez, prezado leitor e estimada leitora, o que é viver para você? Como você está vivendo a sua vida? Quais são as suas questões essenciais? Você concorda que, nesse mundo tão maluco que estamos vivendo, é preciso ter esperança e continuar lutando por ela? 

Luís Lemos é filósofo, professor universitário e escritor, autor do livro: “Filhos da Quarentena – A esperança de viver novamente”. Para comprar o livro do professor Luís Lemos acesse o link link https://www.eviseu.com/pt/livros/2508/filhos-da-quarentena/ Escrevam-se no meu canal no YouTuber https://www.youtube.com/channel/UC94twozt0uRyw9o63PUpJHg 


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