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Olá Navegantes!

E aí, tudo bem? Como vocês tem passado? Como estão os planos para o final de ano? Natal está chegando, aquela época em que abraçamos pessoas queridas e celebramos a graça que o nascimento de Jesus trouxe a todos nós. E, no meio de um turbilhão de coisas para fazer, sempre encontramos um tempo para conversar não é mesmo?

Então chega mais perto e sinta-se a vontade, estamos aqui pra aprender de uma forma leve sobre temas pesados. Semana passada eu deixei no ar qual seria nosso próximo tema. Chegou a hora então da gente trocar ideias sobre o Transtorno Psicótico Breve.

Com certeza em algum momento da sua vida você chegou a pensar ou até mesmo dizer que estava para “surtar” devido problemas e estresses do cotidiano. Que noiva, às vésperas do casamento não parece “levemente surtada”? rsrs. São tantas as pressões que temos que enfrentar na nossa realidade que às vezes nossa mente simplesmente quer sair dela.

Muitas pessoas quando chegam no “limite”, procuram realizar atividades que lhe são prazerosas, viajam, tomam banho de cachoeira, etc. Tiram um período sabático para voltar à rotina problemática e estressante. Mas esse mecanismo não ocorre da mesma forma para todo mundo. Algumas pessoas vivenciam algo que é tão pesado e difícil para assimilar que dissociam (involuntariamente) da realidade. O que muitas pessoas acham ser um surto se trata na verdade do Transtorno Psicótico Breve.

Os sintomas do Transtorno Psicótico Breve se assemelham a delírios, alucinações ou outros sintomas da esquizofrenia, porém eles duram muito menos tempo (de um dia a um mês). A pessoa com Transtorno Psicótico Breve apresenta, no mínimo, um dos seguintes sintomas:

  • Delírios (a pessoa tem crenças falsas mesmo quando existe forte evidência ao contrário)
  • Alucinações
  • Fala desorganizada
  • Comportamento muito desorganizado ou catatônico (imóvel ou não
  • responsivo)

O médico diagnostica a pessoa com Transtorno Psicótico Breve caso os sintomas durem menos de um mês e não existir outro transtorno que melhor justifique os sintomas. Outros transtornos que podem causar sintomas semelhantes incluem reações medicamentosas adversas, problemas médicos, como tumor cerebral ou epilepsia do lobo temporal, esquizofrenia e transtorno esquizoafetivo.

O tratamento do Transtorno Psicótico Breve (TPB) é parecido com o tratamento da esquizofrenia e exige supervisão médica e, às vezes, tratamento de curto prazo com medicamentos antipsicóticos. É comum que haja novos episódios psicóticos.Mas as pessoas com TPB geralmente têm um bom desempenho entre os episódios e apresentam pouco ou nenhum sintoma.

Existem alguns fatores de risco que estão relacionados às pessoas que desenvolvem o TPB. Como o gênero (duas vezes mais no sexo feminino) Transtornos e traços de personalidade preexistentes (p. ex., Transtorno da Personalidade Esquizotípica, Transtorno da Personalidade Borderline ou traços de psicoticismo, como desregulação perceptiva, e no domínio da afetividade negativa, como desconfiança). Todos esses fatores podem predispor o indivíduo ao desenvolvimento do Transtorno.

O TPB pode aparecer na adolescência e no início da fase adulta, podendo ocorrer durante a vida toda, com idade média de início situando-se aos 30 anos.(#euquelute). As Consequências Funcionais do TPB apesar das elevadas taxas de recaída, para a maioria das pessoas, o desfecho é excelente em termos de funcionamento social e sintomatologia. Sempre é preciso ser feito o diagnóstico correto, para que o TPB não seja confundido com outros Transtornos como, por exemplo:

  • Transtornos relacionados a substâncias.
  • Transtornos depressivo e bipolar.
  • Outros transtornos psicóticos.
  • Transtorno factício ou simulação.
  • Transtornos da personalidade.

Para evitar que se desenvolvam fatores de risco que contribuam para o surgimento do TPB, devemos cuidar de nossa saúde mental de forma constante, respeitar nossos limites e repousar de forma adequada, se alimentar de forma natural etc. É normal e compreensível que nem sempre a gente consiga dar conta de tudo. E tá tudo bem com isso. Não podemos nos cobrar o tempo todo. Faça terapia, autoconhecimento e habilidades emocionais e relacionais podem ser desenvolvidas. Não deixe “o balde encher” e também não “chute o balde”. Busque o equilíbrio.

Obviamente algumas situações fogem à nossa vontade, como um acidente, perda de alguém que amamos. Um evento traumático. Mas devemos cuidar do nosso “balde” a fim de que ele aguente as pressões do dia a dia sem trincar ou rachar. E a melhor forma de fazer isso é dando manutenção, equilibrando e filtrando tudo que entra. E sim, eu tô falando que devemos desligar a torneira de vez em quando.

Desejo desde já, um feliz Natal, com torneiras desligadas rsrs e que se algo venha a transbordar em sua vida, que seja o amor.

Até breve!

Syrsjane N. Cordeiro

Psicóloga pelo UNASP – SP, Especialista em Saúde Mental. Já atuou como psicóloga na prevenção e promoção de saúde na atenção básica (2014); na prevenção e promoção de saúde indígena no Alto Rio Solimões (2015); atuou também na área da assistência social, no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS).


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