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Por Carlos Santiago*

Presidência da República

A nova pesquisa da empresa Action realizada na cidade de Manaus (Am), há onze meses das eleições gerais de 2022, com dados coletados entre os dias 08 e 13/11/2021, divulgada em portais de notícias, não traz surpresas, mas indica o cenário político e opinião popular do momento.

O presidente Bolsonaro (sem partido) vive os dois lados da “mesma moeda”: boa aceitação popular para a sua reeleição (37,5%), mas alcança também alto índice de rejeição (39,1%). No segundo turno das eleições de 2018, ele ganhou com 65% dos votos dos manauaras. Na época tinha baixa rejeição e grande aceitação popular; Lula, assim como Bolsonaro, possui boa aceitação (36,3%) para retornar ao cargo de presidente, mas enfrenta grande rejeição (38,7%). Ambos estão tecnicamente empatados na aceitação e na rejeição.

Os outros postulantes ao cargo de presidente estão ainda com pouco espaço para crescimento eleitoral, como Sérgio Moro (6,4%), Ciro Gomes (3,6%) e João Dória (0,4%). Manaus, nesse momento, está dividida, como o restante do país, entre Bolsonaro e Lula.

Governador do Amazonas

Amazonino (33,5%) continua favorito para vencer todos os adversários. E, ainda, conta com baixa rejeição eleitoral (14,6%) devido ao seu recall das últimas eleições e de realizações como administrador, além disso, é favorecido com a alta rejeição do atual governo. Se Amazonino tiver saúde e uma forte aliança partidária, pode obter um novo mandato.

Eduardo Braga continua na segunda posição (13,8%), com eleitorado cativo, fruto de suas administrações na capital e no Estado, mas não consegue crescer e agregar forças partidárias, e o seu índice de rejeição (31,5%) só perde para o governador Wilson Lima. Braga precisa de muita força no interior para superar a rejeição na capital.

O governador Wilson Lima é candidato a reeleição, com aparições ao lado de Bolsonaro e do prefeito David Almeida, além da distribuição de auxílio financeiro à população, começa obter um leve crescimento (9,0%), mas continua campeão de rejeição na capital (56,9%). Por isso, investe muito no interior.

Ricardo Nicolau tem um bom índice (8,8%). Porém, possui rejeição significativa (10,4%.), uma candidatura que pode ter crescimento, mas terá que conquistar apoio partidário de peso e avançar no interior. É muito difícil chegar com força no interior, embora não seja impossível.

José Ricardo (8,6%) e Marcos Rota (8,2%) possuem boas aceitações populares em Manaus e baixos índices de rejeições (7,6%) e (9,0%). Foram as novas apostas do eleitorado nas últimas eleições, José Ricardo foi o deputado federal mais votado; e Rotta, eleito duas vezes para vice-prefeito. Porém, ambos não controlam os seus destinos para o pleito de 2022. Ricardo precisa de autorização de Lula e Rotta, do prefeito de Manaus.

Ronaldo Tiradentes (2,0%) Holanda (2,0%) e Marcelo Amil (0,6%), são valorosos com referências nas áreas de atuação. Porém, no atual contexto político, nenhum deles têm chance de conquistar o cargo de governador.

Mas a pesquisa tem um dado interessante: 62,5% dos eleitores de Manaus, na opção espontânea, não sabem em quem votar. Por isso, é uma eleição ainda muito indefinida para o governo do Estado.

Senado Federal

Arthur Neto (18,2%) e Coronel Menezes (18,0%) disputam na capital a preferência. Arthur tem recall de ex-prefeito e de ex-parlarmentar, tem conseguido mídia nacional e local devido sua participação na prévia do PSDB. Isso o mantém vivo no cenário político. Coronel Menezes foi da Suframa e conquistou uma boa votação na última eleição, depois de colar a sua imagem na do presidente Bolsonaro. O fator rejeição favorece a candidatura de Menezes (16,6%), Arthur fica com a maior rejeição (39,1%)
Omar Aziz sempre teve apoio da máquina pública nas suas eleições. Agora não tem. Sem apresentar um bom desempenho na capital (13%), conta com alta rejeição (43,7%). Aposta numa aliança política no interior para retornar ao cargo de senador em 2023, além buscar apoio do PT de Lula. José Ricardo (12,6%) para o Senado pontua bem, mas precisa de autorização do ex-presidente Lula para ser candidato.

Chico Preto tem boa aceitação (8,8%), mas não conta com apoio político e nem tem partido para disputar o pleito. Ronaldo Tiradentes (5,2%) e Holanda (3, 4%) são bons jornalistas e valorosos trabalhadores, mas num cenário atual não terão chances.
Todos os candidatos ao Senado Federal são de Manaus e com forte presença política na capital. Por isso, nessa divisão de voto na capital, os votos do eleitorado do interior serão importantes para o resultado do vencedor.

Ausência de mulheres, de negros e de indígenas

A pesquisa indica ausência de candidaturas de mulheres, de negros e de indígenas na disputa para o cargo de presidente da República, de governador e de senador. Isso é o reflexo da exclusão de mulheres, de negros e de indígenas dos espaços de poder e da vida pública.

Carlos Santiago é sociólogo, cientista político e advogado


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