Fotos – Arquivo / Semcom
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Com o objetivo de fortalecer a vigilância sobre os casos novos de hanseníase, a Prefeitura de Manaus inicia nesta segunda-feira, 13/9, o curso de capacitação para profissionais da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), no auditório do Distrito de Saúde Oeste, no conjunto Santos Dumont. A expectativa é de que 100 profissionais de saúde, dentre enfermeiros, médicos e técnicos de enfermagem, participem do curso, que segue durante os meses de setembro e outubro.

Essa é a segunda edição da capacitação, que já contou com a participação de fisioterapeutas que atuam nas unidades de saúde da Semsa. O objetivo é reforçar a detecção de casos da doença, como forma de evitar que o usuário apresente incapacidade física e deformidades decorrentes do diagnóstico tardio.

A titular da Semsa, Shádia Fraxe, explica que a detecção precoce é uma medida importante para prevenir incapacidades e a transmissão da doença entre os contatos próximos do usuário que apresenta hanseníase.

“Nosso objetivo é evitar que os pacientes sejam severamente prejudicados, por isso a Prefeitura de Manaus está investindo na capacitação para aprimorar a identificação de casos e dar a devida assistência”, explica.

A enfermeira Ingrid Santos, chefe do Núcleo de Controle da Hanseníase da Semsa, afirma que a estratégia de capacitar os profissionais de saúde para a identificação oportuna de casos está sendo exitosa. Como exemplo, ela conta que 15 dias após ter participado da capacitação, a fisioterapeuta Izabel Pereira Garcia de Freitas identificou um caso novo durante o atendimento de rotina na Unidade Básica de Saúde Arthur Virgílio Filho, na zona norte de Manaus.

“Ao inserir em sua rotina o exame de pele, a fisioterapeuta suspeitou de um possível caso de hanseníase e encaminhou o usuário para avaliação médica. Após avaliação pela equipe multidisciplinar, confirmou-se um novo caso de hanseníase. Esse alinhamento com os profissionais é importante na identificação de casos novos e permite que o tratamento seja iniciado de forma rápida, evitando danos aos usuários”, salienta.

Segundo a dermatologista do Núcleo de Controle da Hanseníase, Rosa Batista, a presença da mancha assintomática na pele da região do abdome da paciente, detectada pela fisioterapeuta através do exame de pele, foi confirmada como hanseníase após a verificação de alterações no exame físico neurológico, palpando os nervos periféricos dos braços e das pernas da paciente, detectando-se cinco nervos acometidos pelo Micobacterium leprae, causador da doença.

“Essa conduta é muito importante para que haja a quebra da cadeia de transmissão da doença, evitando que outras pessoas também sejam infectadas pelo bacilo. Outro aspecto positivo é a prevenção de possíveis sequelas irreversíveis devido ao dano neural causado pela doença quando o diagnóstico e o tratamento são realizados tardiamente”, explica a médica.

A fisioterapeuta Izabel Pereira Garcia de Freitas afirma que a capacitação reforçou sua importância como agente de investigação de casos de hanseníase. “Passei a realizar o exame de pele nos usuários que estão acessando o serviço de fisioterapia por outros problemas de saúde”.

Bacilo

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica, causada pelo bacilo de Hansen (Mycobacterium leprae) com diagnóstico clínico e epidemiológico. A transmissão ocorre por contato familiar e/ou social íntimo e prolongado com pessoa doente, que elimina o bacilo por meio de secreções nasais, tosses ou espirros.

A contaminação surge no período de dois a sete anos e, na fase inicial, as lesões causam diminuição ou ausência de sensibilidade ou lesões dormentes com acometimento do espessamento dos nervos periféricos, principalmente nos olhos, nas mãos e nos pés e a diminuição e/ou perda de força nos músculos inervados, principalmente nas pálpebras e nos membros superiores e inferiores.

Autoexame

A chefe do Núcleo de Controle da Hanseníase enfatiza que é importante que a população realize o autoexame para verificar se há alguma mancha na pele ou alteração de sensibilidade. “Em caso positivo, é necessário procurar nossas unidades para realizar o exame de pele”.

Tratamento

Com duração de seis a 12 meses, o tratamento da hanseníase é feito com medicações distribuídas de forma gratuita em unidades básicas de saúde.

“É importante ressaltar que após a primeira dose da medicação o paciente deixa de transmitir, quebrando a cadeira de transmissão da doença”, reforça Ingrid Santos.

De janeiro a agosto deste ano, a Semsa realizou 26.418 exames de pele, com registro de 62 casos novos de hanseníase, sendo cinco em menores de 15 anos. Em relação ao mesmo período de 2020 houve um incremento de 14,9% na detecção de casos novos, o que é resultado, segundo Ingrid Santos, da intensificação das capacitações e das buscas ativas implementadas no período.


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