Compartilhe
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Olá Navegantes!

Eu confesso que já estava sentindo falta de vocês. Aconteceu tanta coisa desde a nossa última conversa… Acredito que nunca foi tão necessário dialogar sobre saúde mental como nos dias que estamos vivendo. Como foi o janeiro de vocês? Como vocês têm passado? Eu tinha muitos planos para nossas viagens por aqui em janeiro, pois janeiro é o mês símbolo da campanha do cuidado com a saúde mental: #janeirobranco.

Mas como eu falei, muitas coisas aconteceram, o cenário mudou bruscamente e algumas de nossas conversas tiveram que ser adiadas. Mas porque eu tô falando tudo isso pra vocês? Porque quem nos acompanha aqui desde o início sabe que navegamos por diversos temas voltados às psicopatologias que muitas vezes a maioria das pessoas não conhece ou não entende. E tem sido bem divertido trazer esse conhecimento de forma humanizada e descomplicada para vocês.

No entanto, o ano de 2021 mal começou e todos nós tivemos um baque emocional com o cenário de saúde em nosso estado. Foi difícil para vocês, eu sei, foi difícil para mim também. Afinal, ser psicóloga não me isenta de sentir dor ou sofrimento. E quando é a nossa terra, o nosso povo, a nossa família que está sofrendo, a gente sofre junto não é mesmo?

Quero começar deixando bem claro que ninguém é de ferro e que não devemos reprimir nossos sentimentos ou ignorar o caos que nos tem assolado. Ignorar os problemas nos gera um desconforto ainda maior. Não se limpa uma casa varrendo a sujeira para debaixo do tapete. Nossos instintos geram estímulos endócrinos que secretam hormônios que nos preparam para ação e resolução de problemas, como a adrenalina, por exemplo, que nos prepara para lutar ou fugir numa situação de ameaça. Você ignoraria uma onça faminta chegando perto de você? Acredito que não… Da mesma forma não devemos ignorar nossos problemas, pois isso pode ser perigoso.

Se ignorarmos nossos problemas e tudo o que acontece ao nosso redor, se tentarmos ser indiferentes à dor do outro, isso não nos protegerá de sofrer, mas fará com que tudo que varremos para debaixo do tapete cause problemas à nossa saúde. Ataque de pânico, ansiedade, enxaqueca, tensão muscular, rigidez no pescoço, insônia, compulsão alimentar… Muitas dessas condições surgem “debaixo do tapete”. (Prometo me aprofundar nesse assunto em breve).

Solidarizo-me com todos que tiveram familiares e amigos enfrentando a COVID-19, especialmente no estado do Amazonas. Eu digo isso com todo o meu coração, pois meus pais que são idosos e também minha irmã e minha sobrinha enfrentaram recentemente essa doença. Graças a Deus e a pessoas que não foram indiferentes à dor do outro, hoje, todos estão com vida. Receberam oxigênio, visita de profissionais da saúde em casa e também apoio online de profissionais de outros estados. Receberam a visita do projeto #correntedobem da Igreja Adventista e apoio de amigos e demais familiares, e isso fez toda a diferença.

Infelizmente, muitas pessoas queridas perderam a vida este ano para essa nova variante do vírus. Se você que está lendo agora é amazonense, provavelmente conhece alguém próximo a você que passou por isso, ou até mesmo enfrentou a doença ou teve algum caso em sua família. Nas redes sociais, notas de falecimento apareceram com uma frequência que nenhum de nós esperaria ver em seu feed. O noticiário nacional e internacional veiculava a todo instante os momentos de desespero que nossos parentes amazonenses estavam passando.

Eu quero conversar especialmente com aqueles que tiveram perdas, quero conversar sobre o luto, como lidar com ele e como ajudar alguém que esteja passando por esse processo tão doloroso. Permaneça conosco aqui nas próximas semanas, precisamos desse momento de cuidado com nossa saúde. Sei que tem sido uma barra, e extraordinariamente eu dei uma pausa na nossa sequência de temas planejados para que possamos enfrentar juntos tudo isso que ainda está acontecendo, principalmente no estado do Amazonas.

Eu não sou indiferente à dor de vocês, o amor e a empatia são capazes de levar cura também. Seja solidário, procure ajudar com o que estiver ao seu alcance as pessoas da sua comunidade. Faça parte de projetos que ajudam pessoas em momentos de crise. Dessa maneira, dividindo as dores, amando uns aos outros, a sua casa (leia-se: mente) permanecerá limpa, sem sujeira debaixo do tapete.

Muito em breve, estarei divulgando aqui projetos de solidariedade que podem ajudar você e aos quais você também pode ajudar. Fique atento. Logo estaremos aqui de novo para dividir e multiplicar.

“Altruísmo é ser parte da solução. Uma palavra inspiradora. Estender a mão. Um pedaço de pão. Sorrir e chorar junto. Abrir o coração.”

Syrsjane N. Cordeiro

Psicóloga pelo UNASP – SP, Especialista em Saúde Mental. Já atuou como psicóloga na prevenção e promoção de saúde na atenção básica (2014); na prevenção e promoção de saúde indígena no Alto Rio Solimões (2015); atuou também na área da assistência social, no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS).


Compartilhe
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •