Foto: Adriana Cruz / Metrópoles
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Viúva do catador de recicláveis Luciano Medeiros, Dayana Horrara, 30 anos, revelou a expectativa e o desconforto de estar frente a frente com os militares acusados de efetuar os disparos que mataram seu marido e o músico Evaldo Rosa dos Santos, de 51 anos em abril de 2019.

Para Dayana, o mais difícil é relembrar o que aconteceu no dia do crime. “Muita gente manda áudio. O vídeo nem assisti. Não gosto de lembrar. Não tivemos apoio de ninguém e sigo lutando diariamente, trabalhando vendendo doce e cuidando da minha filha”, desabafa.

Ainda de acordo com a viúva, que assistiu ao crime grávida da filha que o catador não conheceu, além da demora na punição aos culpados, ainda há outros desafios. “Eu só queria saber como eles (os militares) passam o Natal. É triste minha filha vendo outros pais com as crianças”, lamenta Dayana, que só no dia 1° de dezembro vai conseguir fazer exame de DNA para comprovar a paternidade da pequena Aylla Vitória, 2 anos.

A primeira sessão do julgamento dos 12 acusados pelos crimes acontece nesta quarta-feira (13/10) e a emoção tomou conta das duas viúvas. Pouco antes de iniciar a sessão, a esposa do músico, Luciana dos Santos Nogueira , precisou de atendimento médico e deixou a sala de audiências da 1ª Auditoria da Justiça Militar, realizada na 1ª Circunscrição Militar, no Rio de Janeiro.

Entenda o caso

O músico Evaldo Rosa seguia de carro com a família no momento em que os militares atingiram o veículo com 62 disparos, no dia 7 de abril de 2019, na Vila Militar, em Guadalupe, zona oeste. O artista morreu na hora. Os 12 militares realizaram duas ações no dia, totalizando cerca de 257 disparos de fuzis e pistolas.

O catador Luciano também acabou atingido quando tentou ajudar a socorrer Evaldo e o sogro do músico, atingido de raspão. Luciano morreu em 18 de abril no Hospital Estadual Carlos Chagas.

A investigação aponta que 12 militares fizeram os disparos contra o músico, mas o julgamento acabou adiado três vezes. O último adiamento se deu de 14/9 para esta quarta-feira (13/10). O primeiro julgamento estava marcado para 7 de abril, dois anos após o crime, mas foi remarcado para 7 de julho, data também postergada. (Metrópoles)

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