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Olá Navegantes!

Conforme o itinerário, nossa viagem pelos sete mares da psicologia tem abordado nas últimas semanas os Transtornos do Neurodesenvolvimento. Dentro dessa classificação temos, por exemplo, o Transtorno do Espectro Autista, (que foi nosso último tema) e o também conhecido de vocês: TDAH – Transtorno do Déficit de atenção e Hiperatividade no qual nos aprofundaremos hoje.

Embora muitas pessoas já estejam familiarizadas com a sigla – TDAH – Ainda há muitos equívocos na hora de identificar os sintomas. Geralmente (e eu já escutei muito isso, e provavelmente você também) quando a criança é muito ativa ou sapeca, ou até mesmo quando “não para quieta,” costuma-se rotular como “hiperativa” ou se é muito calma e interage com menos frequência, logo se diz: esse menino ou essa menina tem algum problema. Deve ser“autista”.

Eu venho alertando vocês aqui sobre o perigo e prejuízo social da “psicologia de botequim”. Para vocês terem noção, outros diagnósticos diferenciais que podem incluir alguns dos mesmos sintomas do TDAH e que precisam ser descartados antes do diagnóstico, são, por exemplo:

  • Transtorno da Oposição Desafiante;
  • Transtorno Explosivo Intermitente;
  • Outros Transtornos do Neurodesenvolvimento;
  • Transtorno Específico da Aprendizagem;
  • Deficiência Intelectual;
  • Transtorno do Espectro Autista;
  • Transtorno do Apego Reativo;
  • Transtornos de Ansiedade;
  • Transtornos Depressivos;
  • Transtorno Bipolar;
  • Transtorno Disruptivo da desregulação do Humor;
  • Transtorno por uso de Substância;
  • Transtornos da Personalidade;
  • Transtornos Psicóticos;
  • Sintomas de TDHA Induzidos por medicamentos;
  • Transtornos Neurocognitivos.

“Eeeita”! Viu só quanta coisa pode ser além de apenas “hiperatividade”? Antes dos quatro anos de idade não se deve fechar o diagnóstico de TDAH devido os padrões de comportamento dessa fase apresentarem muitas variações. Crianças são naturalmente curiosas e estão a todo vapor numa explosão de crescimento, gostam de explorar ambientes, e têm muita energia.

Hiperatividade é diferente de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Há crianças que apresentam comportamento aparentemente hiperativo ou episódios de comportamento hiperativo e não necessariamente têm o transtorno em si, por exemplo.

Às vezes a criança pode estar vivenciando processos estressantes com os quais não saiba lidar, como estar em regime de guarda compartilhada, entrar numa escola nova ou até mesmo estar sendo superestimulado com muitas atividades e excesso de jogos e televisão.(E isso vale para os adultos também). Ou seja, cada caso é um caso e precisa ser investigado por um profissional de saúde mental.

Os principais sinais de déficit de atenção são:

  • Frequentemente não presta atenção em detalhes ou erros (nas tarefas escolares, por exemplo)
  • Tem dificuldade em manter atenção em tarefas ou atividades lúdicas ou leituras prolongadas;
  • Frequentemente parece não escutar quando alguém lhe dirige a palavra;
  • Frequentemente não segue instruções até o fim e não consegue terminar trabalhos, perde o foco rapidamente e já começa a fazer outra coisa;
  • Frequentemente tem dificuldade para organizar tarefas e atividades
  • Evita tarefas que envolvam esforço mental prolongado como fazer relatórios, por exemplo;
  • Facilmente é distraído por estímulos externos,

Principais sinais de hiperatividade:

  • Frequentemente remexe ou batuca as mãos ou os pés ou se contorce na cadeira;
  • Frequentemente levanta da cadeira em situações em que se espera que permaneça sentado, seja na igreja ou num escritório ou escola;
  • Frequentemente corre ou sobe nas coisas em situações em que isso é inapropriado
  • Não se envolve em atividades de lazer calmamente, como quebra-cabeças, por exemplo;
  • Frequentemente fala demais;
  • Costuma responder antes que a pergunta tenha sido concluída;
  • Tem dificuldade em esperar a sua vez;
  • Frequentemente interrompe ou se intromete numa conversa ou outra atividade.

Resumindo tudo que acabamos de aprender, podemos dizer que a característica essencial do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade é um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade que interfere no desenvolvimento e funcionamento do indivíduo. A desatenção manifesta-se comportamentalmente no TDHA como divagação em tarefas, falta de persistência, dificuldade de manter o foco e desorganização, e a hiperatividade refere-se à atividade motora excessiva quando esta é inapropriada.

O TDHA começa na infância e os sintomas devem surgir antes dos 12 anos, assim como o comportamento desatento/hiperativo deve estar presente em mais de um ambiente, e não somente na escola, mas em casa, em passeios, no trabalho, etc. Há grandes chances que mais alguém da família venha a desenvolver o TDAH. A prevalência maior é em meninos.

O TDAH em adultos é um problema de saúde mental que pode levar a relacionamentos instáveis, desempenho profissional insatisfatório e baixa autoestima.Os sintomas de TDAH incluem dificuldade para se concentrar hiperatividade, comportamento impulsivo e até mesmo ansioso. O tratamento combina o uso de medicamentos estimulantes, sessões de psicoterapia e tratamento para as condições de saúde mental que possam estar associadas.

Muitas pessoas são diagnosticadas tardiamente, quando já se tem grande prejuízo social decorrente dos efeitos de um transtorno que não foi identificado e tratado corretamente. Por isso sempre vou lembrar vocês da importância de estar atento à saúde mental e não hesitar em procurar um profissional da área quando necessário.

Transtorno Específico da Aprendizagem será nossa próxima aventura pelo conhecimento.

 

Até Breve.

Syrsjane N. Cordeiro

Psicóloga pelo UNASP – SP, Especialista em Saúde Mental. Já atuou como psicóloga na prevenção e promoção de saúde na atenção básica (2014); na prevenção e promoção de saúde indígena no Alto Rio Solimões (2015); atuou também na área da assistência social, no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS).


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