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Olá Navegantes!

Conforme o itinerário, nossa viagem pelos mares da psicologia abordou nas últimas semanas os Transtornos do Neurodesenvolvimento. Já conversamos e aprendemos sobre diversos temas interessantes que você pode conferir navegando por aqui J Hoje encerraremos uma sequência sobre os Transtornos Motores e nos despediremos também dos Transtornos do Neurodesenvolvimento.

Vamos falar agora sobre o Transtorno do Movimento Estereotipado e também sobre os Transtornos de Tique.

A grande maioria das pessoas sabe do que se trata a palavra “tique”, que é um termo comum e que se popularizou ainda mais com a música “TicTic Nervoso”, do Kid Vinil, que provavelmente você conhece. A seguir confira um trecho da música:

“…Eu sempre me achei um rapaz normal
Que esse papo de analista fosse coisa pra boçal
Agora me chamam de esquisito
De sujeito atrapalhado
Só por causa desse meu jeito
Todo torcido assim pro lado!

É que eu fiquei com tictic nervoso
Tictic nervoso, tictic nervoso…”

Como a letra da música sugere o tique também é desencadeado pelo estresse e nervosismo. Eu mesma, no dia do meu casamento fiquei tão nervosa que apresentei tique nos músculos do meu rosto. Quem nunca né? Hehehe… Mas existem os tiques nervosos (que não necessariamente são transtornos), tiques motores e vocais, assim como também as estereotipias. A seguir vamos dar um mergulho rápido  e aprofundar nosso conhecimento sobre estereotipias e tiques.

Na verdade muitas pessoas confundem Transtorno do Movimento Estereotipado com Transtornos de Tique. Vamos agora, mais do que dar nomes aos bois. Vamos colocá-los devidamente cada um em seu respectivo curral.

Começaremos falando da estereotipia, que consiste num comportamento motor repetitivo, aparentemente direcionado e sem propósito (p. ex., apertar  as mãos ou abanar, balançar o corpo, bater a cabeça, morder-se, golpear o próprio corpo).  O comportamento motor repetitivo interfere em atividades sociais, acadêmicas ou outras,  podendo resultar em autolesão. O início se dá precocemente no período do desenvolvimento. 

Os fatores ambientais contribuem para o surgimento e agravamento dos sintomas. O isolamento social (2020 que o diga) é um fator de risco para autoestimulação, que pode progredir para  movimentos estereotipados, com autolesão repetitiva. Estresse ambiental também pode desencadear comportamento estereotipado.

Movimentos estereotipados são  mais frequentes entre indivíduos com deficiência intelectual de moderada a grave/profunda, tipicamente, as estereotipias têm início em uma idade mais precoce (antes dos 3 anos de idade) na comparação com tiques, que têm idade de início média entre 5 e 7 anos. 

As estereotipias podem envolver braços, mãos ou todo o corpo, ao passo que os tiques costumam envolver os olhos, o rosto, a cabeça e os ombros. As estereotipias são mais fixas, rítmicas e prolongadas em duração do que os tiques, que geralmente são breves, rápidos, aleatórios e flutuantes.

As estereotipias são uma manifestação comum de uma  gama de doenças neurogenéticas, como síndrome de Lesch-Nyhan, síndrome de Rett, síndrome do  X-frágil, síndrome de Cornelia de Lange e síndrome de Smith-Magenis.

Um tique é um movimento motor ou vocalização repentina, rápida, recorrente e não ritmada. O início ocorre antes dos 18 anos de idade. A perturbação não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma substância (p. ex., cocaína) ou a outra condição médica (p. ex., doença de Huntington, encefalite pós-viral).

Alguns exemplos de tiques são:

  • Piscada de olhos;
  • Movimentos repentinos com a cabeça;
  • Caretas;
  • Balanço de ombros;
  • Fungada;
  • Tosse;
  • Sons guturais;
  • Gestos obscenos;
  • Repetição involuntária de sílabas ou palavras.

Os Transtornos de Tique incluem quatro categorias diagnósticas:

  1. Transtorno de Tourette;
  2. Transtorno de Tique Motor ou Vocal persistente (crônico);
  3. Transtorno de Tique Transitório;
  4. Outro Transtorno de Tique especificado e Transtorno de Tique não especificado.

Os tiques e estereotipias podem atrapalhar o desempenho social de uma pessoa e nesses casos o tratamento do estresse (terapia) e tratamento com toxina botulínica, (atuando nos músculos afetados) são muito oportunos. Os tiques não tem exatamente uma “cura”, mas podem passar muitos anos sem se manifestar.

Você conhece alguém com tique? Por se tratar de um Transtorno do Neurodesenvolvimento é mais provável que você conheça crianças que apresentam tiques. Em pessoas com TDAH a comorbidade é mais comum, e a prevalência maior no sexo masculino.

Encerramos aqui nossa viagem pelos mares dos Transtornos do Neurodesenvolvimento e embarcamos para nossa próxima viagem rumo ao aprendizado, sobre Esquizofrenia e Outros Transtornos Psicóticos. Nosso próximo tema será Transtornos Delirantes. Você tá pronto?

Te vejo em breve!

Syrsjane N. Cordeiro

Psicóloga pelo UNASP – SP, Especialista em Saúde Mental. Já atuou como psicóloga na prevenção e promoção de saúde na atenção básica (2014); na prevenção e promoção de saúde indígena no Alto Rio Solimões (2015); atuou também na área da assistência social, no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS).


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