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Na última semana de setembro, ocorrerá um treinamento on-line com profissionais da saúde de seis unidades de Manaus para a continuação do estudo de uma nova droga no combate à malária. O estudo leva o nome de TRuST e está sendo desenvolvido na Fundação de Medicina Tropical Dr Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD).

Após o cronograma ser interrompido em função da pandemia da Covid-19, ocorreu uma reunião nesta quarta-feira, 23, com os diretores de seis unidades de saúde do Estado. A ação marcou a retomada das atividades de duas novas ferramentas para o combate à malária vivax.

Na ocasião, ficou definido que, na última semana de setembro, ocorrerá um treinamento com os profissionais das unidades de saúde para aplicação do teste de G6PD e da administração da nova droga.

“Atualmente, o tratamento é feito combinado com dois anti-maláricos: a Cloroquina e a Primaquina. A Tafenoquina passa a ser utilizada no lugar da Primaquina. E passa a ser utilizada em dose única. Isso é um grande avanço, já que sendo um único comprimido, o paciente vai aderir ao tratamento mais facilmente. Para usar o medicamento tem que ser feito um teste de G6PD”, disse a pesquisadora da FMT-HVD, Renata Ramos, coordenadora do estudo TRuST.

O TRuST tem como um de seus principais objetivos avaliar a utilização de tais testes-rápidos pré-uso de Tafenoquina em cenários de vida real.

Além da Fundação de Medicina Tropical Dr Heitor Vieira Dourado, vão participar do treinamento o Hospital e Pronto-Socorro Platão Araújo, os Serviços de Pronto Atendimento (SPAs) da Zona Sul, Chapot Prevost, Danilo Corrêa e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Campos Sales.

A expectativa é que a Tafenoquina seja incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS), entretanto, uma das principais preocupações do seu uso, assim como da Primaquina, é o seu potencial de causar hemólise em pacientes com deficiência da enzima G6PD.

Por isso, antes da incorporação do medicamento ao SUS, a necessidade e importância do TRuST, uma vez que propiciará analisar a viabilidade da droga por meio de um teste rápido para deficiência de G6PD.

Em 30 de outubro de 2019, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) efetuou o registro da Tafenoquina, desenvolvido com a participação de pesquisadores da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), com potencial para facilitar de forma expressiva o tratamento da malária e evitar recaídas. A Tafenoquina foi a primeira droga aprovada, nos últimos 60 anos, para a principal forma da doença provocada pelo Plasmodium vivax.

O maior avanço no novo medicamento, de acordo com pesquisadores, está relacionado à forma e ao tempo de uso. A Tafenoquina reduz a duração do tratamento de sete (tratamento convencional) para um dia.

A malária é transmitida pela picada do mosquito Anopheles, infectado pelo protozoário. Os sintomas são febre, mal-estar, dores de cabeça e no corpo. Somente na FMT-HVD, em 2019, foram notificados 2441 casos da moléstia.

A malária é considerada endêmica no país. O tratamento atual inclui duas drogas. Uma delas é indicada para controlar a infecção aguda e a outra, de sete dias, a Primaquina, para a eliminação do parasita que se instala no fígado e depende do peso do paciente.

Histórico – A Tafenoquina foi desenvolvida há cerca de 40 anos pelo Exército americano, a partir da Primaquina. O princípio ativo, no entanto, ficou por anos aguardando o desenvolvimento e pesquisas que demonstrassem sua eficácia e segurança. A retomada dos estudos ocorreu há alguns anos, com uma pesquisa feita em parceria entre a Glaxo Smith Kline (GSK) e a organização não governamental Medicines for Malaria Venture (MMV).

Pesquisas clínicas foram feitas no Brasil para o uso do medicamento. Na FMT-HVD, as fases 2 e 3 da pesquisa foram realizadas com a utilização da droga em cerca de 200 voluntários.

Sobre a FMT-HVD – A Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado é referência para o Sistema Único de Saúde (SUS), no Amazonas, no atendimento relativo a Doenças Infectoparasitárias e Tropicais, acidentes ofídicos e Dermatologia Tropical. É também considerada referência internacional como centro de ensino e pesquisa em doenças tropicais.


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