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Hoje, ainda temos um país que chora e está apavorado com tantas mortes por causa da pandemia de Covid-19, mas precisamos seguir em frente, confiantes que o Divino Mestre nos livrará da lança da morte.

O retorno das aulas presenciais, nesse momento, sem a população está imunizada com a vacina, parece uma ideia descabida. Esperamos que o pior não aconteça e que esse retorno não acelere a terceira onda.

Sabemos que a situação econômica do país não anda fácil e “ficar em casa trancafiados, com medo desse vírus, não ajuda em nada” – como disse o Presidente. No entanto, em todas as circunstâncias, principalmente quando se trata de vidas, temos que ouvir sempre os especialistas.

Se os médicos dizem que é preciso manter o distanciamento social para conter a proliferação do vírus, por que os políticos insistem em desafiar a ciência? O que eles ganham com isso? Certamente você já sabe a resposta!

Particularmente, penso que se o tratamento da Covid-19 no Brasil fosse igual para todos, provavelmente, a população já estaria imune desse vírus. Imagine você o Presidente da República sendo atendido numa UBS. Será que ele iria indicar cloroquina para o tratamento precoce da população? Lógico que não!

Certamente, para muitos, quem sabe para uma geração inteira, essa pandemia ficará marcada pelo tanto de gemidos que ouvimos de mães, filhos, parentes e amigos que sequer puderam dar um último adeus aos seus entes queridos. Isso aconteceu com a família de um amigo meu, aqui em Manaus.

Infelizmente, para os governos federal, estadual e municipal, em janeiro de 2021, a saúde pública estava tudo bem, “às mil maravilhas”. No entanto, foi nesse mês que o meu colega morreu no corredor do hospital João Lúcio, em Manaus, por falta de oxigênio. Ele era jovem, tinha 48 anos, casado, deixou órgãos três filhos pequenos. Imagine você, o filho mais velho dele ainda nem completou quinze anos de idade.

Antes do meu amigo ser levado ao hospital João Lúcio, por uma ambulância que demorou três hora para chegar, com fortes dores no peito e falta de ar, o meu amigo ainda encontrou forças para dizer essas palavras:

“A mensagem que eu quero passar para vocês é essa. Filhos, vivam, amem, sofram, aproveitem todos os momentos bons e ruins e tirem ensinamentos de cada um deles, não deixem que rótulos façam vocês desistirem do que vocês querem ser”.

Depois dessa mensagem, os filhos caíram no choro, parecendo que eles estavam adivinhando o que iria acontecer. Sete dias depois os filhos acompanharam pela tela do celular o enterro do pai no cemitério Tarumã e eu perdi um amigo de trabalho escolar.  

Hoje, mais do que nunca, a vida cobra de nós coragem. Coragem para vencer todos os obstáculos que se apresentam para nós. E convenhamos, são muitos, né? Outrossim, é preciso ter coragem para dizer a verdade. É preciso ter coragem para dizer que o coronavírus mata. É preciso ter coragem para dizer que nesse momento ainda não é hora de relaxar, sair de casa e frequentar lugares com muita gente, seja o shopping, a praça, a igreja ou a escola.

Seja como for, é preciso ter coragem para dizer as crianças e adolescentes, os jovens e estudantes, que o coronavírus não escolhe idade, cor, sexo e que todos nós podemos morrer se não tomarmos os devidos cuidados. Enfim, as autoridades, os políticos, precisam saber que os estudantes não são robôs, pensando que eles vão ficar paradinhos, em suas cadeiras, sem interação social, sem abraços, apertos de mão, beijos.

A interação social faz parte da formação das crianças, dos adolescentes, dos estudantes. O dia a dia das pessoas é permeados de relações sociais. Por isso, talvez, a família, a igreja, a escola são as três instituições sociais que mais gozam de respeito e admiração da população.

Como professor, defendo que a escola se transforme urgentemente num ambiente acolhedor e num espaço de vivência dos valores éticos e morais. Por fim, que os estudantes encontrem na escola o espaço adequado para suas manifestações de coragem, desejo, sonhos e realizações.

Luís Lemos

Filósofo, professor universitário e escritor, autor do livro: “Jesus e Ajuricaba na Terra das Amazonas”.
Instagram: @professorluislemos
Youtube: https://www.youtube.com/channel/UC94twozt0uRyw9o63PUpJHg


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